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Não escolhi você, mas escolho a gente

Foi entrando sem sequer pedir licença, como se tanto a casa, quanto eu, já pertencessemos à você. Não se preocupou em chegar sem ser notado, pelo contrário! Fez questão de me fazer perceber que você estava aqui. Invadiu a minha zona de conforto com toda naturalidade deste mundo, como se nada fosse mais esperado do que a sua chegada. Foi tirando as minhas coisas do lugar, bagunçando todas as minhas certezas, colocando em xeque aquela independência emocional que por muito tempo preguei. Veio sacudindo todo o meu sossego e, em algumas horas, nada mais estava igual.

Você expulsou a minha paz e eu me apaixonei pelo nosso caos. Depois, eu me assustei com o tamanho do que estava morando dentro de mim. Senti medo quando te vi enfiar os pés nas minhas almofadas caríssimas e não quis te matar, senti medo quando me dei conta de que não tinha máscaras, joguinhos e trapaças. Era real e não mais uma conquista barata e sem graça. Senti medo quando percebi que, talvez, eu estivesse perdendo o controle. E perdi. Senti medo de ficar tão vulnerável, tão exposta. Ninguém nunca me teve de forma tão crua e nua como você conseguiu ter. Ninguém nunca me viu sem armadura, sem casca, sem disfarce. Senti medo de toda aquela intensidade transbordando em um futuro tão incerto. Senti medo. Muito! Mas mais do que isso, eu senti você em mim e isso me fez querer arriscar em nós.

Eu não escolhi você, garoto. Cê sabe bem disso. Não escolhi a hora, o lugar, o jeito, o momento. Nada entre nós foi racional. E não seria tão verdadeiro se tivesse sido só uma escolha simples e prática. Eu amei você. Eu amei os teus defeitos. Cada um deles! Amei teu jeito turrão que, vira e mexe, bate de frente com o meu. Amei a sua maneira, tão diferente da minha, de ver a vida. Amei sermos tão opostos mas, ao mesmo tempo, tão iguais. Amei o cheiro que você espalhou em cada cômodo de casa (e em mim). Amei teu abraço apertado. Teu beijo. Teu gosto. E você me amou de volta, sem também ter tido a chance de me escolher pra isso.

Lembro o momento exato em que eu soube que não dava mais pra fugir. Acho que eu estava meio bêbada, você me olhava fixo, como se estivesse observando uma jóia preciosa e rara, tudo dentro de mim estava meio revirado, meu corpo tremia e nem sei se você percebeu que não era de frio. Tomei coragem e te encarei também. Nos olhamos um pouco. Você sorriu. Eu sorri. E a gente se beijou. Foram segundos, mas enquanto meus olhos engoliam os seus, tive certeza de que tinha encontrado o homem da minha vida. Toda vez que eu te olho, é essa mesma certeza que percorre cada artéria do meu corpo.

A maioria das pessoas não dão a sorte de cruzar com o amor da sua vida. Às vezes o ônibus atrasa, o relógio não toca, o bar não abre, o metrô trava, tem outro alguém no caminho. Às vezes o destino leva cada um para um lado. E ponto final. Noutras, ele faz questão de que tudo aconteça de um jeito em que as coisas se encaixem lá na frente, como nós nos encaixamos. Era pra ser aquele dia, naquele bar, daquele jeito, mesmo meio torto e complicado. Podia ter sido antes, mas não foi. Podia ter sido depois, mas talvez o engarrafamento fizesse a gente se desencontrar de novo. Foi na hora certa, do jeito certo. O meu amor invadiu a minha vida sem ser convidado. E, hoje, eu só peço pra que você fique pra sempre.
Não escolhi você, mas escolho a gente Não escolhi você, mas escolho a gente Reviewed by Gabriela Freitas on 21:21 Rating: 5

Um comentário:

"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.

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