Nova Perspectiva

3 de dezembro de 2018

Eu amo a bagunça que você faz em mim

Você vira o meu mundo do avesso. E antes que você dê aquele sorrisinho de canto que eu, particularmente, adoro, preciso te confessar que isso não foi um elogio. Pois é, amor… É que deixar a vida de alguém de ponta cabeça não é uma coisa muito romântica. Pra ser sincera, é até bem irritante! Você veio com esse jeito manso e de repente estava remexendo nas minhas certezas, colocando à prova os meus limites, zoneando a minha paz e revirando a minha vida. Você me transformou em caos. E eu deveria te detestar por isso.

Eu deveria te detestar porque você me ganhou tão rápido que nem deu tempo d’eu lembrar do meu discurso sobre desapego e daquele papo de não querer me apaixonar. Quando me dei conta, já tinha um pouco de você em cada canto de mim. Eu deveria te detestar porque você me desarma fácil mesmo isso sempre tendo sido tão difícil pra todo mundo. Deveria te detestar porque você me faz sair do controle. Logo eu, que sempre fiz questão de ter tudo na palma da mão! Deveria te detestar porque desde que você chegou eu sai da minha zona de conforto. Cê me arranca do eixo, do sério, do chão. E ainda me faz ver poesia em toda essa confusão.

Cê não deu à mínima para o meu gênio forte, não se assustou com as minhas birras e não está nem aí se eu sou complicada demais, mimada demais, manhosa demais. Você não saiu correndo nem com os meus avisos. Pelo contrário! Faz graça com a situação. E hoje eu entendo o motivo. Hoje eu entendo por quê você não teve medo de entrar em mim mesmo eu alertando que sou um furacão. Entendo como cê conseguiu ir muito além do que qualquer um já foi, e me transforma de um jeito que ninguém nunca deu conta. É que você é tão difícil quanto eu! Tão genioso, tão teimoso, tão birrento. E é nessa que a gente soma um no outro.

Eu amo a bagunça que você faz em mim. E amo a zona que eu crio dentro de você. Amo o estrago que a gente causa nas certezas um do outro. E o quanto vamos além do que já fomos por outro alguém. Não tem sido fácil, mas a gente se ajeita, se encaixa, se ajusta. E se entende. Eu sei que é você cada vez que respiro fundo e em vez de esbravejar, faço graça da sua cara emburrada. Eu sei que sou eu na hora em que você ri quando falo alguma coisa idiota que com certeza em outro momento teria te tirado do sério. Eu sei que somos nós cada vez que passamos por cima de algo pra deixar tudo bem.

Você me vira do avesso. E talvez isso até seja um elogio. Conhecer o príncipe encantado não teria a menor graça depois de conhecer você. E agora cê já pode dar aquele sorrisinho de canto que eu adoro.

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