Nova Perspectiva

12 de junho de 2018

Relacionamentos são feitos de recomeços diários

Antes de te conhecer, eu acreditava que em um relacionamento perfeito não havia espaço para brigas, não havia tempo pra rusguinha, para cara feia, pra bico e nem motivo para discussões intermináveis. Antes de te conhecer, eu achava que amar era fácil, leve, colorido, que não dava dor de cabeça, que não cansava, que a gente não sentia vontade de desistir, de jogar tudo para o ar e ir embora. Antes de te conhecer, eu tinha a imagem de um relacionamento sem momentos ruins, sem fases difíceis, sem dias pesados. Antes de te conhecer, eu achava que dormir brigado era a pior coisa do mundo, que o felizes para sempre tinha que durar todos os dias, todos os segundos, todos os instantes. Eu achava que era fácil manter uma relação, mas eu estava errada. Muito errada! Manter um relacionamento é foda pra caramba.

Têm dias em que eu me pergunto o motivo de ainda estarmos juntos, de insistirmos na nossa história mesmo com todo bate boca e a gente parecendo cão e gato. Muitas vezes eu não consigo ter certeza da resposta. E eu acho que você também não. A verdade, é que o tempo apagou aquele relacionamento de contos de fada que eu esperava viver e a realidade é muito mais dura do que eu previa. Eu conheci um lado seu que não foi o que eu me apaixonei. Um lado que implica sem motivo, que reclama a toa, que me cutuca até me ver sair do sério. E você conheceu um lado meu oposto ao que fez você se apaixonar. Um lado que faz tempestade em copo d’água, que bate o pé quando não consegue o que quer e detesta ser contrariado. Você é bem mais birrento do que dizia ser, e eu bem mais mimada. É difícil lidar com o defeito do outro, pior que isso, é difícil lidar com a ideia de a gente também ter defeitos. Muitos. E que isso também incomodar o outro.

Já perdi a conta de quantas vezes sentamos para conversar e discutir “os motivos que fazem a gente brigar”. Já perdi a conta de quantas vezes combinamos de consertar todos eles e parar com tanta discussão desnecessárias. Foram em vão. Hoje eu sei, não importa o que a gente faça, eles vão continuar existindo. Nenhum de nós dois vai mudar, porque por mais que a gente se esforce, não tem como deixar de ser o que somos e nos transformarmos em outras pessoas. Você vai continuar chegando atrasado mesmo que eu te peça vinte vezes pra não fazer isso e eu vou continuar ficando com aquele bico que você detesta todas essas vezes. Você vai continuar demorando uma eternidade pra responder as minhas mensagens e eu a querer tudo do meu jeito, não meu tempo. E tá tudo bem! As brigas vão continuar, a gente sabe, mas ainda estamos aqui, ainda estamos insistindo.

Depois desse tempo que estamos juntos, eu finalmente entendi que sempre teremos dias ruins, semanas difíceis. Sempre haverá aquelas fases em que a gente parece cão e gato, água e óleo, sal e açúcar. Dois opostos que não conseguem conviver juntos. Sempre terão tempestades à toa, uma alfinetada daqui, outra dali, e um monte de bate boca sem pé nem cabeça que acaba sem a gente conseguir explicar porque tudo aquilo começou. Mas namoro é assim, feito de recomeços diários. Alguns dias são feios, chuvosos, e outros são ensolarados, bonitos, e são esses que fazem a gente esquecer de quando estava nublado. Sabe… É quando tudo está de cabeça pra baixo que a gente percebe o quanto o amor é forte, porque é fácil continuar do lado dando risada, brincando, curtindo, difícil é aturar a tpm, o mau humor, as manias, a personalidade. Difícil é engolir a vontade de mandar caçar sapo, e continuar ali, lado a lado.

Acho que amar é exatamente isso: resistir mesmo depois de descobrir que contos de fada não existem e felizes para sempre precisam ser reconstruídos todos os dias.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.