Nova Perspectiva

8 de junho de 2018

Deu certo sim, só que agora não dá mais

Desculpa por no começo ter dito que eu me arrependia de todas as coisas que vivemos juntos e que preferia nunca ter te conhecido. Desculpa por ter gritado numa tentativa tosca de te expulsar a força de dentro mim e pedido pra você nunca mais me procurar. Desculpa por ter falado mal da gente, por ter te criticado pra todo mundo e ter jogado fora tudo de bonito que vivemos juntos. Desculpa ter tentado apagar a nossa história deletando as fotos das redes socais e jogando fora tudo o que me lembrava você. Desculpa por ter demorado tanto pra entender o nosso fim. E pra aceitar que, às vezes, as coisas são assim.

Eu fiquei cega depois que você foi embora. Tudo o que eu conseguia sentir quando olhava o vazio que você deixou em mim, era raiva. Raiva por ter me entregue tão intensamente. Raiva por ter me jogado de cabeça sem me preocupar se eu teria espaço aí dentro para mergulhar. Raiva por ter acreditado na gente, por ter confiado em você. Eu não conseguia entender porque cê não queria mais insistir em nós, porque estava abrindo mão de todos os nossos planos e sonhos. Eu não conseguia entender como você tinha jogado fora todas as promessas que fizemos um para o outro, todas as vezes que rolamos no tapete da minha sala depois de bebermos uma garrafa de vinho e juramos que aquilo duraria pra sempre. Eu não conseguia entender porque não tinha durado. E te culpava por isso.

Eu precisava descontar toda aquela dor que eu estava sentindo em alguém, precisava me livrar daquela frustração que contagiava o meu peito e tirava meu sono, precisava superar a sua ausência, o espaço vazio que você deixou em casa e em mim, a tristeza que eu sentia por acordar e não te ter do meu lado. E eu fiz isso ignorando todas as coisas boas que tínhamos vivido juntos, porque achei que desse jeito seria mais fácil te esquecer. Foi uma atitude imatura, eu sei, agi feito uma garotinha mimada que não consegue respeitar as coisas e quer que tudo seja do seu jeito. Eu queria que você fosse meu. E não aceitei quando você decidiu que não queria ser mais. Bati o pé, emburrei, fiz escândalo e ignorei todas as vezes em que fomos felizes por estarmos juntos, todos os momentos bons que dividimos, os “eu te amo” que dissemos. Eu tive raiva de você por jogar tudo fora, mas demorei pra me dar conta que o que eu estava fazendo era muito pior.

Depois de um tempo, eu fui me acostumando com a sua falta, fui parando de sentir seu cheiro pela casa, de te buscar em outros caras e de querer te encontrar por aí. Eu fui parando de me incomodar por ver você se divertir com outras pessoas e comecei a querer aproveitar também. Voltei a sair, voltei a sorrir, voltei a viver sem ser em função de você. E eu entendi o que tinha acontecido. Nossa história já tinha acabado há muito tempo, já estava ruim antes de você pegar as suas coisas e ir embora. Eram brigas atrás de brigas, um testando o outro, um implicando com o outro. Parecia uma guerra e não tinha como ter um vencedor nessa disputa. Nós dois estávamos saindo perdendo. Já não havia mais parceria, mais companheirismo. Eu não queria admitir, mas a verdade é que ali já não estava dando mais certo, mas demos por muito tempo.

Hoje eu te admiro. É sério! Você teve coragem de ir embora mesmo sentindo a mesma dor que eu sentia, porque não tinha mais nada que a gente pudesse fazer pra consertar a nossa relação. Ela já tinha acabado. E nós fomos felizes sim! Fomos muito. A gente dividiu sonhos, desenhou um futuro, planejou uma vida. Você me transformou em alguém mais leve e eu te ensinei a lutar mais pelos seus sonhos. O Enzo e a Valentina não vão existir, pelo menos não como a gente os imaginou, com os seus olhos claros que deixam qualquer um apaixonado e o meu nariz pequeno que parece feito à mão. As viagens que planejamos juntos, a casa na praia onde moraríamos quando a velhice chegasse, o casamento com o pé na areia, nada disso será realidade. Mas o nosso amor foi e isso que a gente que leva pra sempre. 

Deu certo sim, só que agora não dá mais, e tá tudo bem em acabar assim.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.