Nova Perspectiva

23 de março de 2018

Tudo ainda é sobre você

É moreno, eu quase acreditei nessa minha história de que tinha te esquecido. Não ri não, eu tô falando sério! Foi por muito pouco que eu não consegui me convencer de que não era mais você o grande amor da minha vida, acredita? É que eu quase achei que esse papo que eu tava falando por aí, de que tinha te deixado no passado, era mesmo verdade. Mas não era, nunca foi. Só que passei tanto tempo fingindo para o mundo que tinha te superado, que quase superei. Quase.

Se não fosse por aquela sua foto sorrindo distraído que eu ainda não apaguei do meu celular, ou pelo seu nome que mesmo depois de tanto tempo continua sendo a minha principal busca nas redes sociais, talvez eu pudesse dizer que não era só enganação. Se não fosse por eu ainda procurar seus olhos enquanto ando pela cidade, ou se esse desejo de receber uma mensagem sua, qualquer uma, não existisse mais, talvez eu não tivesse só mentindo. Mas ainda é o seu cheiro que eu tento encontrar em um outro corpo. É do seu beijo que eu sinto falta quando beijo outras bocas e me pego imaginando como eu preferia que fosse você ali. É de você que eu falo quando me perguntam sobre a minha história de amor. Porque você foi e talvez seja pra sempre o único cara capaz de tirar meus pés do chão só de olhar nos meus olhos. E eu não quero mais mudar isso.

Lutei muito pra não ser mais você moreno. Lutei pra seguir em frente, pra me envolver com outros caras, pra parar de perder as minhas noites chorando de saudades de uma história que mal conseguiu chegar a acontecer. Lutei engolindo tudo o que eu estava sentindo porque ninguém entenderia como depois de tanto tempo eu ainda não tinha te deixado pra lá. Acho que eu também nunca consegui entender muito bem o motivo disso. Mas e daí? Tem coisas que a gente não explica, só sente. Hoje eu entendo que essa é uma delas. Eu lutei por muito tempo tentando varrer pra debaixo do tapete todos os planos que eu tinha feito pra gente. Lutei pra ignorar todo vazio que ficou depois que você foi embora. E pra fingir que eu não me importava mais quando, na verdade, o meu corpo estava estraçalhado por sua causa. Você acha que é fácil sorrir quando cada partezinha sua dói? Não é, moreno. Eu lutei pra não demonstrar que cada pedaço da minha alma ainda gritava por você. E pra fingir que eu não estava mais escutando. Lutei contra nós de todas as formas, mas não deu.

Eu tentei te esquecer com outras pessoas. Tentei fingir que acreditava que a gente pode amar várias e várias vezes na vida. Eu tentei me convencer de que não precisava ser você. De que eu não queria que fosse você. Mas isso nunca foi verdade. Durante esse tempo eu continuei arrumando maneiras de não me livrar de você, continuei colecionando as nossas memórias, guardando as nossas lembranças e caçando formas de te manter vivo dentro de mim. Eu nunca quis deixar de acreditar que você ia voltar. Nem de te esperar. Por isso continuei ouvindo as nossas músicas, acompanhando a sua vida, buscando o seu olhar. Por isso não me livrei das nossas mensagens, não apaguei todos os textos que já escrevi pra você, nem parei de escrever. Você continuou sendo minha maior e melhor inspiração. Eu não me livrei das nossas promessas, nem deixei de acreditar naquele eu te amo que você me disse no meio de uma brincadeira. Também não tive coragem de matar a esperança de que nós dois, de algum jeito, ainda iremos nos encontrar.

Pode chamar isso do que quiser. Loucura, bobeira, perda de tempo. Eu chamo de amor. Talvez não seja mesmo pra ser agora. Talvez ainda demore muito tempo. Mas eu sei que não acabamos por aqui. Talvez você conheça outra pessoa e ela até faça você me esquecer, talvez vocês se casem, montem uma família e vivam felizes até alguma coisa parecer estar fora do lugar. Vai ser o meu espaço vazio começando a te incomodar. Talvez isso também aconteça comigo. Ou eu resolva viajar o mundo em busca de aventura e me envolva com um cara de cada país, quem sabe? Talvez eu viva grandes paixões até me dar conta de que nenhuma substitui você. Talvez a gente volte a se querer depois de querer muitas outras coisas. Talvez você vá estudar em outro estado, trabalhar do outro lado do país. Talvez a gente perca o contato, fique sem se falar, esqueça o número do outro e demore pra se achar. Talvez cada um precise seguir o seu caminho e esses caminhos sejam muito distantes. Só que aqui dentro alguma coisa me diz que eles se cruzam no final, e aí a gente vai se olhar, trocar um sorriso, uma risada, e entender que nem tudo é no tempo que a gente quer, mas no tempo em que tem que ser. E seja em qual for, eu sei que a gente é.

Por isso tudo ainda é sobre você.

E vai continuar sendo.

Até ser sobre nós.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.