Nova Perspectiva

4 de janeiro de 2018

Será que a gente ainda tem alguma chance?

Perdi o sono. De novo. Já é a segunda noite que eu não consigo dormir. Viro pra um lado, reviro pro outro e assim a madrugada passa rastejando, lenta e preguiçosa, sem demonstrar nenhuma vontade de me ajudar a te esquecer. Preciso admitir que nos últimos tempos eu achei que tinha te colocado pra fora de mim, que tinha consigo te expulsar daqui de dentro, mas eu me enganei, na verdade você continua grudado em cada célula do meu corpo, impregnado nos meus poros feito uma droga que eu não consigo parar de usar e que me mata aos poucos.

Durante o dia eu finjo que estou bem, porque o resto do mundo não precisa saber que eu ainda choro por você. Mas as coisas não mudaram muito por aqui desde a última vez que a gente jurou aos gritos que íamos parar com essa história. Dessa vez você tem cumprido a sua parte da promessa sem me procurar pra bagunçar a minha vida, parabéns. Só que eu não. O seu perfil continua sendo o mais buscado em todas as minhas redes sociais, a nossa música é única que eu consigo escutar inteira por horas e horas, ainda não acabei a nossa série, porque é insuportável assistir sem você, e eu espero que você também não esteja conseguindo assistir sem mim. Acho que eu prefiro viver com o caos que você transforma a minha vida do que com o vazio que você deixa quando não está aqui.

Eu tentei ser forte. Fiz o que eu prometi que faria: saí com as minhas amigas, bebi mais do que devia, beijei bocas que eu nem queria beijar, falei com caras que não tinham nada a ver comigo, apaguei as nossas mensagens, joguei fora as nossas fotos, marquei encontros que eu nem queria ir, fui nesses encontros chatos, e me enganei acreditando que eu podia amar outra pessoa. Mas eu não posso. Eu não consigo. Porque tudo que eu faço, tudo que eu falo, tudo que eu penso, me leva de volta pra você moreno. Eu queria não lembrar, queria ter passado por cima e deixado a nossa história no passado, como combinamos de fazer, mas a saudade grita seu nome enquanto a cidade dorme e eu não consigo te esquecer. Não consigo esquecer tudo o que a gente planejou juntos, a nossa casa, os nossos filhos, os vira-latas que pegaríamos na rua, a casa no campo pra fugir do barulho.

Não consigo esquecer o seu cheiro de perfume barato que ficava grudado por dias na minha roupa e nem o seu gosto de trident intense misturado com coca-cola, ou o jeito como o seu cabelo ficava bagunçado mesmo você não deixando ninguém mexer nele, nem eu. Não consigo esquecer os desenhos que seus dedos faziam enquanto percorriam a minha coluna nas noites em que o mundo parava pra assistir nós dois. Você ainda lembra como era ser o maior espetáculo do planeta? Não consigo esquecer da última vez que você disse que me amava, nem quando garantiu que comigo era diferente. Eu sei que nunca fui de cair nesse tipo de conversa, mas em você eu acreditava. Por mais que digam que eu fui tonta de confiar nisso, sei que entre a gente sempre foi diferente. E talvez tenha sido justamente esse o nosso problema.

Sabe esses amores que são tão intensos que acabam se destruindo quando ficam juntos? Acabei me convencendo de que somos um desses. Era tanto sentimento junto que não tinha como dar certo nessa vida, só que eu não sei mais se quero deixar essa história pra próxima eternidade, se eu quero esperar pra conseguirmos ficar juntos. Eu não sei se a gente ainda tem alguma chance, não sei se ainda vale a pena insistir, se devemos apostar as nossas fichas nessa história. Eu não sei de um monte de coisa, porque tudo sempre foi meio complicado entre nós dois, mas eu não tenho a menor dúvida do que eu sinto por você. Não tenho a menor dúvida de que ainda é você o dono das borboletas que moram no meu estômago. Se eu ainda for a dona das suas, me procura, pode ser? Eu continuo aqui, no mesmo lugar, fazendo o mesmo brigadeiro de panela, escondendo a chave embaixo do mesmo tapete e te esperando de braços abertos pra curar de uma vez por todas a minha insônia.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.