Nova Perspectiva

30 de janeiro de 2018

E se ela quiser fingir que está tudo bem?

Qual é o problema se em vez de ficar chorando em casa por alguém que já tá muito bem sozinho, ela resolver que prefere curtir a noite com as amigas? Qual é o problema se ela trocar o típico brigadeiro na panela por uma garrafa de vodka ou uma dose de tequila e um vestido justinho pra descer até o chão ao som do melhor DJ da noite? Qual é o problema se ela quiser beijar outros caras e não tiver a menor vontade de perguntar o nome deles porque eles são só pra tapar o buraco que tá aberto no seu peito? Qual o problema se ela dispensar a famosa comédia romântica pós pé na bunda que só vai fazer ela lembrar do casal que eles não foram pra se divertir por algumas horas? Qual o problema se ela não quiser ficar falando dele pras outras pessoas e nem revivendo as fotos que tiraram juntos? Hein?

Qual o problema se ela resolver que tá tudo bem? Se ela decidir fingir que não se importa? Que já desencanou dele? Que já o esqueceu? E que não molha mais o travesseiro toda noite antes de dormir? E se ela quiser enganar a si mesma com essa história de que não tá nem ai se ele já conheceu alguém ou não? Mesmo ainda fuçando escondida todas as redes sociais dele? E se for esse o jeito que ela arrumou pra fazer a vida ficar boa de novo? O que a gente tem a ver? Tudo o que eu sei é que não tem fórmula para superar o término de um relacionamento. Não tem passo a passo pra curar um coração partido. Não tem regra pra desapegar de um grande amor. Então e daí se ela resolveu que agora vai postar foto todo final de semana em uma balada diferente? E daí se ela quer esfregar na cara dele que também está muito bem sozinha, mesmo não estando? E daí se ela quer ser orgulhosa e dizer que não tá sentindo nada? E daí?

Ela não é obrigada a admitir suas fraquezas pra ninguém, não é obrigada a agir feito essas mocinhas dos filmes americanos e ficar expondo o que tá sentindo, nem a se comportar como se o mundo tivesse acabando só porque eles acabaram. Não é porque tá doendo pra caramba, que ela tem que ficar esticada na cama revivendo na memória tudo o que eles passaram juntos ou se perguntando onde foi que começaram a dar errado. Isso nem importa mais! Ela não precisa ficar quebrando a cabeça tentando achar explicação pro final da história que viveram, não precisa entender o motivo de não estarem mais juntos e nem ficar se remoendo com o passado, porque não importa o quanto ela pense e sinta falta, nada daquilo vai voltar, nada vai ser igual era, nada vai fazer aquelas tardes que eles passavam rindo a toa voltar, nada vai fazer eles se olharem daquele jeito apaixonado de novo e nem os planos que fizeram pro futuro se concretizar.

Nada vai fazer com que aceitar o ponto final de todos os sonhos que tiveram seja mais fácil, nada vai transformar essa tempestade que se instalou dentro dela em garoinha, nada vai fazer com que seu coração não se aperte quando a música dos dois tocar e ela não tiver ele ali pra dividir aquele momento. Nada vai fazer com que os dias passem mais rápido até tudo voltar ao normal. Mas ela pode, e deve, escolher como é que vai enfrentar toda essa situação e se ela quero fazer isso com um sorriso no rosto, muito rímel não olho e um copo de bebida na mão, qual é o problema? Se ela quer fazer isso sem falar pra ninguém o quanto é horrível voltar pra casa e não poder ligar pra ele, qual é o problema? Se ela quero fazer isso, escondendo atrás daquelas risadas escandalosas o quanto seu coração está partido, qual é o problema?

Cada um sabe o tamanho da sua dor. E o melhor jeito para lidar com ela. Não é uma decisão dos outros, então deixe que ela mesma escolha se vai perder a madrugada olhando as mensagens que trocavam ou dançando como se o mundo fosse acabar amanhã.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.