Nova Perspectiva

8 de janeiro de 2018

Carta de agradecimento ao meu ex-namorado

Você pode ler ao som de That's What You Get - Paramore

No dia em que tu disse “não sei o que tô fazendo aqui” eu te respondi com “se tu for embora, cê não precisa mais voltar” e tu rebateu com “tá bom, tá tudo acabado”, cara, esse dia doeu. Foi pior que aquela dor de bater o dedo mindinho na quina do armário, sabe? Foi pior do que arrancar a casquinha da ferida e ver o ferimento sangrar. Foi pior do que abrir o pacote de salgadinho e ver que tem mais ar do que tudo.

Antes de virar as costas, tu disse a seguinte frase “você merece coisa melhor, não é você, sou eu”. Não sei por qual razão, mas eu sussurrei um “eu mereço você, você é tudo que eu tenho, não me deixe agora.” Mas tu me deixou, cara. Junto daqueles ursos espalhados pelo quarto e todas as juras de amor que um dia fizeram sentido. Tu me deixou com aquela pergunta ridícula que eu declamei aos quatro cantos e pra todas as minhas amigas “o que foi que eu fiz? Por qual motivo ele me deixou?” Demorei pra achar a resposta, mas agora que descobri, resolvi te agradecer. Ter me deixado foi a melhor coisa que tu poderia ter feito por mim.

É óbvio que eu chorei. Chorei até o pulmão doer, até achar que tinha secado todo o meu estoque de lágrimas e com isso, acabei descobrindo que sou um poço de lágrimas sem fim. É claro que eu senti falta, cara. Toda vez que a campainha tocava, eu acreditava lá no fundo que era o porteiro interfonando pra dizer que o rapaz de tatuagem no pescoço, estava ali, querendo subir. Eu esperei por meses uma ligação, uma mensagem, uma cutucada, um coração no insta, um e-mail, uma carta ou qualquer coisa tua. Esperei tu ligar pra minha mãe e pedir pra ela o que poderia fazer pra me reconquistar. A resposta seria "só aparecer, cara". Só aparecer. Não desaparecer e voltar quando outro já tinha tomado teu lugar. Sumir por meses e aparecer quando outro contato aparecia, tu sabia que me teria fácil e sabia que era só mandar algo que eu ficaria na tua. De novo.

Com o passar dos meses e depois de ter deixado passar vários caras legais, descobri a tua jogada. Me ver com outro cara cutucava teu ego. Até parece que gostamos tanto de nos machucar, né? Parece que cutucar o outro com falsas expectativas alivia um pouco a culpa. Aliviou um pouco a tua?

Fiz bolinhas com o papel de trouxa que tu me fez passar, e com eles, resolvi escrever uma nova história. Sabe o cabelo longo? Cortei e passei a tinta, sabe, fiquei maravilhosa. Sai com as minhas amigas, fui ao cinema sozinha, encontrei nas baladas beijos com gosto melhor que o teu. Jantei com meus pais e percebi que entrega de livros me fazem sentir mais borboletas no estômago do que esperar você aparecer. Adotei um gato, comprei aquários e enchi de peixes. Mudei meu guarda-roupa, mudei a cor do batom e continuo ouvindo as mesmas músicas.

Por sua causa, parei de acreditar em príncipes encantados, em carruagem e contos de fadas. Mas foi por sua causa que descobri que mereço alguém melhor, de que amores vem e vão, e que apesar da dor, amar é bonito demais pra ser trancafiado a sete chaves, só porque alguém preferiu amar outro alguém.

Então cara, obrigada por ter me deixado. 

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.