Nova Perspectiva

27 de novembro de 2017

Ela é pai e mãe

Não era assim que ela sonhava, não foi assim que planejou, não é desse jeito que ela queria, mas foi assim que aconteceu.

Acorda cedo, descabelada, com a cara amassada e não tem muito tempo pra despertar. As obrigações já estão gritando seu nome desde antes do despertador tocar. Também não tem muito tempo pra lavar a cara, não consegue fazer uma make caprichada e mal termina o xixi antes de ouvir alguém resmungar “mamãe”. Ela tem que ser rápida, é só ela em casa. Já perdeu a conta de quantas noites não dormir tentando fazê-lo pegar não sono e de quantas vezes quis alguém pra ajudar a tornar aquilo mais leve.

Guerreira é uma boa definição pra essa mulher. Ela não teve outra opção. Teve de ser mais uma dessas que não caem fácil, que não abaixam a cabeça para as dificuldades e nem deixam de acreditar que no final vai dar tudo certo. É claro que de vez em quando ela sente medo e chora quietinha sem saber o que fazer. Não é fácil fazer tudo sozinha, não é fácil ser mãe e pai, mas ela faz, ela é. E ela tem um motivo especial pra não desmoronar, tem alguém que precisa que ela resista mesmo quando a tempestade assusta, mesmo quando tudo fica bagunçado, mesmo quando ela se sente cansada. Ela tem alguém que precisa dela em pé, por isso ela fica mesmo quando as suas pernas pedem socorro.

Pra viver a maternidade solo, ela abriu mão de alguns sonhos e jogou pra frente alguns objetivos. Agora ela não é mais o foco da sua própria vida. Tem alguém que precisa mais e é pra ele que ela passou a viver. E mesmo que seja difícil e pesado, ela não reclama, só agradece. Sabe bem que nessa história quem saiu perdendo não foi ela. Ela só ganhou. O trabalho é puxado, tem dias que faltam horas para conseguir fazer tudo o que precisava e às vezes dá saudades da época em que suas preocupações eram escolher as roupas para as festas com as amigas, mas quando ela olha aquele sorrisinho doce e aqueles olhinhos cheinhos de amor, ela não consegue desejar outra coisa além de ser mãe.

E ela sente muito pelo cara que nunca vai saber que a melhor coisa do mundo é ouvir aquela risada aguda depois de acordar. Sente muito porque ele perdeu tudo de mais bonito que só um filho pode trazer, perdeu a primeira palavra, o primeiro passo, a primeira papinha, o primeiro dia na escola, o primeiro dentinho de leite, a primeira festinha, perdeu os primeiros momentos que vão voltam, que a gente não rebobina, não reprisa. E que só ela viu, só ela viveu, só ela sentiu. E é por eles que apesar de tudo (ou por causa de tudo) ser mãe e pai tem sido o melhor presente de Deus em sua vida.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.