Nova Perspectiva

2 de outubro de 2017

Trem passageiro

Já passava da meia noite quando enfim consegui desfazer a confusão que se passava na minha cabeça. Resolvi escrever aquelas palavras que até ontem só faziam sentido para mim. Será que alguém mais conseguiria entender essas desilusões? Com a mente exausta, descansei o lápis na ponta da mesa e reli tudo o que tinha escrito. Que depressão era aquela que tentei passar? Quando escrevemos por impulso, dificilmente entendemos as palavras que colocamos no papel. Para os escritores de rotina, a vontade sempre vencia o bom senso. É por isso que na maioria das vezes, quando terminamos um suposto bom texto, sentimos aquela ânsia de amassar tudo o que foi jogado no papel. E eu digo jogado, e não sentido. 

Quando sentimos é diferente. Nós temos o prazer de reler e analisar cada detalhe que foi posto simultâneo ao nosso coração. É diferente quando você tem dificuldade de se expressar, mas sente vontade de esfregar tudo o que já foi lhe dito. 

Você quer limpar a sua alma, quer tirar o peso que a sociedade te proporcionou hoje. Sei que ela jogou sujo. Só falou de morte, de perda e de sofrimento. Quem é que aguenta com isso? Você mal acorda e já vê na tv que 80 pessoas morreram em um incêndio e que uma criança matou seus pais com uma faca de cozinha porque não deixaram ele jogar o seu novo vídeo game. Me diz, quem tem coragem de viver em um mundo onde o amanhã pode ser seu fim? Onde foi parar a esperança que tanto foi nos falado e ensinado no jardim de infância? Será que eles estavam nos preparando para sermos fortes? Será que era um lamento do que veríamos a viver? 

Juro que tentei, sobre todas as formas, não escrever nenhuma perda vista nesse dia. Mas como poderia me abster da realidade? A morte está a um passo de um bocejo e alguns centímetros de suspiros. Sempre li que a morte era a entrada da luz, que quando morríamos víamos nossa vida passar diante dos nossos olhos, mas e ai? Como eu irei saber disso? Será que é isso mesmo ou eles só estão tentando, assim como tentaram no jardim de infância, nos avisar sobre algo que não imaginávamos encontrar? E como eles saberiam disso se ainda estavam vivos? Será que existe mesmo esse negocio de outra vida? O que será que se passa na cabeça de um ser cheio de pecados a sangue frio? Será que antes dele cometer algum assassinato ele se pergunta o por quê de estar fazendo isso, ou sente ao menos um milésimo de compaixão pela pessoa? Será que isso passa como um raio oculto pela sua cabeça e logo em seguida é apagado pelo seu ódio? 

Eu não sei, parei de escrever na metade dessas perguntas porque simplesmente, não quis achar respostas. A morte não é algo que queremos uma resposta, não é como um trem que pesquisamos os horários e o pegamos no tempo certo. Ninguém se preocupa e quer saber se está na hora ou não de embarcar. Ninguém quer viajar. 

Sinto dizer, mas a morte não é um trem que busca passageiros. Ela é um trem passageiro, onde todo mundo, um dia, vai ter que passar.­

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.