Nova Perspectiva

25 de agosto de 2017

Precisamos falar sobre TOC


TOC não é legal, não é motivo de orgulho e não tem ninguém achando bonito você dizer no twitter que seu “toc” está “atacado”. Desculpa, mas você sabe o que é toc? Não estou generalizando, mas creio que a grande maioria que grita por aí não tem a mínima noção do que é ter o transtorno obsessivo compulsivo. Mas, quem sou eu para dizer o que é toc, sendo que nem profissional da área sou? Eu tenho toc. Eu vivo uma rotina controlada (por mim mesma) há um bom tempo e isso não é legal. Imagino que 99% dos meus amigos e colegas nem imaginam o que sinto; e creio que a grande maioria que passa por isso também não sai gritando aos quatro cantos. A gente raramente fala, a gente não sabe como colocar para fora tudo que está a mil por hora na nossa mente.


A sensação é que eu vivo numa montanha russa em um looping eterno. Tem dias que são mais difíceis que os outros e os momentos de paz são bem poucos. Vivo em um mundo que quem está de fora não entende. “Você pode parar, você consegue, você é maior do que isso, para de fazer drama”, mas falar é tão fácil, né? As pessoas não entendem que é algo que foge do nosso alcance. A ansiedade me faz passar mal, perder aula, momentos com pessoas que amo porque em algumas situações sair de casa exige muito. Um simples compromisso na semana me faz perder o sono. Já passei dias virada sem dormir direito porque a minha cabeça não parava. Os ombros pesam, as costas doem, sempre muito tensa como se algo de ruim fosse acontecer a qualquer momento. 

A gente se prende em rituais que parecem não terem fim. Arrumar a cama só uma vez não é suficiente. O número 1 nunca é suficiente para um ritual ser completo com sucesso. Alguns se dão melhor com números pares, outros só lidam bem com ímpares. Eu só durmo depois de tirar o colchão da cama três vezes, arrumar o lençol quatro vezes e colocar o travesseiro exatamente no meio da cama, medindo os lados com a palma da mão. E quando algo dá errado, começa de novo. Isso não é legal. 

Não é legal você sentir sua garganta fechando quando um ritual não é completo do jeito que deveria. Ou quando alguém aparece te interrompendo e pergunta “que doideira é essa que você tá fazendo? ”. A gente sua frio, se desespera, a pálpebra treme, respira rápido ou às vezes perde o ar e você nem percebe, porque a gente não quer mesmo ser notado.

Não é fácil, mas é tratável. São vários medicamentos até acertar aquele que “combina” com o seu organismo. Sem falar das várias reações, ora emagrece, ora engorda, insônia, taquicardia, tonteira e pupilas dilatadas. Você perde a hora da aula, porque acordar cedo tomando o remédio da insônia é difícil, o corpo pesa e nem ouço o despertador. Ou se atrasa, porque estava preso em outro ritual.

Então não vem falar que tem toc porque seu feed no Instagram está desorganizado ou não aguenta ver uma notificação vermelha no celular. Gostar de coisas arrumadinhas não é toc, não confunda perfeccionismo com toc, são níveis bem diferentes. Imagens sincronizadas não acalmam nosso coração e nem melhoram nosso dia. E se eu tô aqui agora falando isso tudo é para você que também passa por isso saber que não está sozinho, é pra você que fica romantizando toc como se fosse a coisa mais linda do mundo. Não, não é! Se você conhece alguém que passa por isso, ajude! Não dê apelidos, nem julgue, porque isso a gente já faz. Dê suporte!

PS: se você passa por isso ou algo semelhante, se acha que às vezes perde a respiração demais pelas coisas que acontecem com você, sinta-se convidado para conversar comigo e dividir esse peso, ok? Você não está sozinho, viu? Me encontre aqui.

Se você gostou do texto, pode acompanhar também no meu blog, o 1 Quarto de Café, clique aqui.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.