Nova Perspectiva

6 de agosto de 2017

Não amar você


Eu não sei não amar você. É tipo tomar água gelada quando se está morrendo de sede e calor, sem fechar os olhos de alívio. É como sentir o vento de julho sem se arrepiar. Eu não consigo. Tem coisas que nosso corpo reage assim, naturalmente. E eu não sei reagir a você de outro jeito.


Eu já tentei te odiar. Já tentei dizer que você não cabe nas minhas equações. Nem orações ou predicados. Porque sempre que você é o sujeito, os verbos atingem o âmago de toda a minha conjugação. E dói. Eu te sinto tanto que dói. Eu tento me guardar um pouco pra depois, mas não dá.
Amar você exige tudo de mim agora.

Eu queria mandar você passear pra sobrar um pouco de mim pra respirar. Tirar ponta dupla do cabelo. Pintar as unhas dos pés. Pensar na crise do Brasil ou aprender francês. Mas meu coração é teu oásis. É aqui que você passeia. É no arrepio que sobe pela minha espinha quando você sussurra no meu ouvido - e sei que por dentro tá gritando - que você gosta de ficar.

E eu tô gritando agora também. Agora mesmo. Aqui, no meio desse monólogo silencioso que eu vou guardar em alguma gaveta depois. Eu tô gritando que não aguento mais amar você enquanto tudo que eu quero nessa vida é amar você. E que você é o meu maior exagero de todos os exageros que eu sinto e sou o tempo todo.

Amar você me sufoca. Me acorda no meio da noite. Me desnuda de tudo que eu achava querer.

Eu não sei não amar você. Eu já tentei. Pedi socorro. Quis te processar. Porque te amar tanto assim é um abuso. Viola minha lucidez. É uma pena eterna.
Tentei definir limites. Constituir alguma lei aqui dentro que me mantivesse civilizada. Mas, não consigo. Você em mim é clausula pétrea. É irrevogável. É a droga do meu direito de ser feliz, mesmo que doa quase sempre.

Mesmo que eu te condene, mesmo que eu tente, não dá pra absolver o coração do que já é decreto.
Estampo em cada verso que eu escrevo e poesia que eu declamo:

Eu não sei não amar você. E, por isso...
Eu amo.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.