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22 de agosto de 2017

Doce rendição

Para ler ao som de Sweet Surrender, Bread. 

— Pô, boy, não ferra.  Eu levei tanto tempo para construir essa armadura. Como você chega e puxa meus cabelos, desarmando-me inteira? Não, por favor, se afasta. Eu decidi que não quero mais. É um pouco covardia isso, essa tua mão nos meus cabelos, tua barba roçando a base da minha orelha. Por favor, não. Essa tua proximidade é cruel e levemente desonesta. Não, por favor, não cutuca assim meus pontos fracos. Eu... Isso é muito errado. Foi trabalhoso demais aprender a viver sem a tua companhia e tive que reconstruir histórias, só para não te enxergar em cada detalhe da rotina. Por... Favor... Não faz assim comigo...
Tive que apagar cada memória doce que tinha de nós dois, emaranhados naquele céu azul... E agora você assim, beijando o meu pescoço, não está facilitando as coisas. Entenda, estou melhor sozinha ok? Talvez não seja isso que meu corpo... Fala.... Mas.... HEI! Se afasta... Isso. Bom moço. Me escuta aqui, você não tem direito de aparecer de repente, rompendo todas as minhas barreiras. E eu não tinha o direito de me sentir tão eu mesma como estou me sentindo agora. Você tá estragando tudo, boy. Não vê? Você... Está... Estragando... Tudo.

Eu gosto é do estrago*...


* trecho da música "O velho e o moço", do Los Hermanos.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.