Nova Perspectiva

17 de julho de 2017

Falar de amor é fácil

— Que bom te encontrar por aqui.
— É, imagino.
— Tô falando sério.
— E qual a razão desse amor repentino?
— Não é repentino.
— Ah não?
— Não! E eu tava com saudade.
— Saudade né, seu... É claro.
— É tão difícil acreditar em mim?
— Um pouquinho...
— Por quê? Eu tava querendo te ver faz um tempão.
— Tem certeza? Tava mesmo?
— Credo, como você tá azeda!
— Não to não, só não entendi por quê você não me procurou antes.
— Eu queria, mas não consegui.
— Não conseguiu por quê?
— Perdi seu número.
— Ah… entendi.
É sério! Meu outro celular quebrou e você me bloqueou em tudo, não tive o que fazer.
Não teve? E meu endereço? Você esqueceu onde eu moro? Você não podia pedir pras minhas amigas? Sei lá, não dava pra dar um jeito?
— Eu sei, eu errei… mas eu senti sua falta morena. Eu te amo tanto.
— Engraçado seu jeito de sentir falta…
— Por quê?
Você teve um tempão pra ir atrás de mim, tinha mil e uma formas de me encontrar, podia, sei lá, ter virado o mundo do avesso… mas você sequer se esforçou, ai agora quer dizer que tá com saudade? Pior, quer me fazer acreditar que cê me ama? Por favor…
— Eu sei, parece mentira, mas to falando a verdade morena!
— Até acredito cara, o problema é que falar de amor é fácil e eu gosto de gente que vai muito além disso.

Um comentário:

"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.