Nova Perspectiva

20 de julho de 2017

Ele é a minha pessoa

Ouvi durante muito tempo que eu era uma pessoa difícil de lidar, que dificilmente um cara iria querer ficar comigo por causa desse meu jeito, que por eu ter me relacionado com muitos homens, nenhum iria querer me levar a sério e me assumir. E pra ser sincera, acreditei nisso por um bom tempo, entrava e saia de namoros ruins, me apegava demasiadamente e me deixava levar por qualquer sorriso bonito. Deixei a carência falar mais alto diversas vezes. Até que me tranquei, decide ter meu tempo, só meu, chegar em casa, tirar os sapatos, beber um café e assistir TV na sala com meus pais. Eu sosseguei. Mas acho que meu coração não queria aquela quietude, acho que ele estava mais do que pronto, finalmente, para receber visitas.



Até que um dia, eu o encontrei, não foi na fila do cinema, não foi num show de uma banda que nós amávamos, não foi no jazz, nem tão pouco ‘romântico’, foi no Facebook mesmo, provavelmente estava stalkeando alguém e vi aquele garoto. Eu não me apaixonei pelo sorriso dele, porque ele não estava sorrindo na foto, eu me apaixonei pelo seu olhar, mas na verdade não foi bem uma paixão, e sim uma certeza, de que iria ver aquela olhar por muito tempo na minha vida, como se aquele olhar sempre estive ali, parado, procurando o meu.

Uma semana de conversa, descobri que havia mais de mim nele do que em mim mesma, descobri que ele não fazia joguinhos, não inventava desculpas e descobri que quando alguém quer estar com você, vai dar um jeito de estar com você. A gente se encontrou, passamos algumas horas no cinema, rimos, teve toda aquela tensão de primeiro encontro e na hora de pagar o estacionamento do shopping eu fui dizer algo a ele e o chamei de ‘amor’, isso mesmo, no primeiro encontro, com um desconhecido que eu conversava há duas semanas, eu o chamei de amor. Eu devo ter ficado roxa, vermelha, amarela, azul, o próprio desenho do Romero Britto.

Ele disfarçou como um belo cavaleiro que sempre foi, e não deixou que eu ficasse desconfortável. Eu cheguei em casa com a certeza, ele nunca mais vai me procurar na vida. No outro dia ele me ligou, e no outro, e três dias depois de novo, e lá estávamos nós, no segundo, terceiro, décimo encontro. Ele não se importou de ser chamado de amor por mim, porque provavelmente sabia que eu iria chamar ele assim pelo resto da vida. Ele conheceu meus pais, me apresentou sua família, e a garota que era tão difícil de lidar não precisou forçar nada, foi natural, parece até que estava escrito, e olha, eu acredito que estava mesmo.

Ele é a minha pessoa, é pra ele que eu ligo quando escuto um barulho e estou sozinha em casa, é pra ele que eu conto quando estou com medo, nervosa ou angustiada. A gente divide as contas, uma cachorrinha super fofa, às vezes o almoço, os sonhos, a vida. Ele é a minha pessoa, ele esteve lá quando os outros não quiseram estar, ele gostou da minha risada escandalosa, ele gostou do meu jeito desastrado, ele amou as minhas peculiaridades, aquelas que todos diziam ser defeitos, ele as viu como qualidades, ele diz que são elas que me tornam única.

Ele é a minha pessoa, é pra ele que eu corro quando sinto que o mundo vai desabar, é pra ele que eu ligo de madrugada quando acordo de um pesadelo, é ele que esquenta meus pés quando eu esqueço de colocar meia antes de dormir. Ele é a minha pessoa, ele conhece minhas dores, aliás ele estava lá na pior de todas elas, e ele não quis ir embora. Ele poderia ter ido diversas vezes, mas ele nunca quis, alias ele nunca cogitou a possibilidade. Como eu sei disso tudo? Os olhos dele me contam os mesmos olhos que me fizeram se apaixonar, me contam que ele nunca vai embora, eu posso ser difícil de lidar, eu posso ser doidinha, eu posso ser desastrada, eu posso ser eu mesma, que ele não vai embora.

Ele é a minha pessoa, ele sabe que eu sou forte, independente e decidida, mas que se ele for comigo, eu vou melhor que sozinha. Ele é a minha pessoa, e tem dias que eu só quero agradecer por ter ele aqui, como hoje, em que eu me vi tão grata por tê-lo que decidi escrever esse texto. Alias, ele é a maior culpado por eu escrever, porque foi ele que me inspirou a fazer isso. A menina difícil encontrou um peito para morar, a menina sem juízo encontrou alguém que pudesse lhe centralizar, que pudesse colocar os pés dela no chão, sabendo que jamais poderia lhe impedir de voar, porque sabe que ela ama voar. Ele é a minha pessoa, ele sempre vai ser a minha pessoa.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.