nome blog

2 de julho de 2017

Amor tóxico

Nosso amor cresceu feito árvore. Seu sorriso era adubo, sua risada era chuva. A cada abraço, centímetros e centímetros de amor cresciam da gente. Eu sonhava com nós dois juntos. Eu vivia num sonho. Naquele momento vi tudo desmoronar, meu coração se partir, meu sorriso desabar. Eu vi vocês. Me belisquei, bati no meu rosto, até esfreguei meus olhos. Mas sim, eu vi. Era real. Foi duro. É duro. Te ver nos braços de outra foi duro. Mais duro ainda é não conseguir esquecer.
Sabe o pior? Eu continuo te querendo, a cada dia mais, e mais.

Existem pessoas capazes de me cativar com um simples sorriso, tudo bem disso eu já sabia. Mas você? Com um simples olhar, com uma simples presença, uma onda repentina de felicidade me derruba. Só por você estar ali.

Não está mais.
Você deu amor e depois tirou. Tirou tudo, limpou direitinho, sem deixar rastros. Nem a melhor perícia poderia encontrar aqui o que, um dia, já foi amor. Limpou tanto e com tanta força que deixou feridas. Marcas abertas, incuráveis. Seu amor deu lugar a dor. Eu quase te ligo, todos os dias, pra perguntar onde cê guardou todo aquele lixo que sobrou do amor. Todo aquele resto. Eu quase vou até a sua casa, só pra procurar. Naquele seu armário bagunçado da sala. Ou dentro da geladeira pra combinar com a tua frieza.

Queria encontrar, reciclar. Aprendi que lixos não devem permanecer por aí, jogados. Eles devem ser reaproveitados, sabe? Se transformar em algo melhor. Mas parece que o nosso lixo era tóxico, impossível de reaproveitar. Ele precisava ser enterrado, bem fundo. Onde ninguém, jamais, encontraria ou tocaria. É proibido entrar em contato, é perigoso. Queima. Destrói. Machuca. Quem tocar nele pode ser afetado. Pelas mentiras, dilemas, desencontros, lágrimas, decepções. E demora. Demora milênios até parar de ser nocivo. 

Pode ser que nunca pare. 
Que nunca aprenda. 
Que nunca pare de doer.

0 comente aqui:

Postar um comentário

"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.