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20 de junho de 2017

Palavras não bastam

♫ Qual é o preço da culpa que eu carrego nos braços? PARA OUVIR - A NOITE, TIÊ.

Tem dias que são mais difíceis que outros.

Eu fecho os olhos e tento recordar qual curva a gente se perdeu, mas a visão é turva e indecifrável. A lágrima escorre tímida, salgando a boca. O coração se aperta, miúdo, como se quisesse desaparecer dentro do peito. Dói. Dói um bom bocado. Sento-me abraçando os joelhos, encarando paredes, quadros e cortinas e não reconheço. Não me reconheço. Não reconheço mais nós dois. O hiato que nos separa está cada dia um pouco maior e sei que preciso pular para o teu lado, para não permitir que essa distância rompa nosso elo de vez, quebrando tudo e todos, deixando apenas cacos perdidos no caminho, emaranhados num monte de interrogações.

Tem um punhado de palavras não ditas se acumulando na minha garganta e, na pressa, elas atropelam-se e saem de qualquer jeito. Não há tempo para medir o tom. Engoli frases por tempo demais. Eu fecho as cortinas e você fecha a janela, para não ver o que há do lado de fora, sem nos darmos conta que estamos nos fechando dentro da gente, cada um no seu canto. Alimentamos o hiato que cresce. Eu e você. Esta via é de mão dupla.

Eu te contei muitos segredos e há outros tantos que ainda tenho por dizer. Estou reescrevendo memórias, numa fraca tentativa de não perder os detalhes, de cavucar o lado bom — que anda escasso — para ver se reconheço o amor. O amor está minguando. E eu me amarro em cada detalhe que posso que é pra ver se o amor não morre de uma vez, porque seria triste demais.

É uma história que se complicou, mas não sei o porquê. Eu sei o preço da culpa que carrego nos braços e sei de cor todos os passos, mas tenho medo de não me ver mais em você. E nesse medo irrisório, eu calo as palavras, eu escondo o sentimento, eu alimento o hiato que cresce. Eu me fecho num casulo, enquanto você se esconde em casa. E a gente se perde, sem nem perceber...

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.