Nova Perspectiva

5 de junho de 2017

Nunca fui muito boa com despedidas

Nunca fui muito boa com despedidas. Eu sempre fui daquelas que avisa no último segundo quando está indo embora e faz um tchau coletivo às pressas dizendo que a carona tá na porta e eu não posso me atrasar. Não gosto daqueles abraços apertados porque meu medo é que um deles me aperte tanto que eu perca a vontade de ir embora ou tendo a vontade de te levar comigo. A verdade é que cada tchau dói em mim e me traz aquele sentimento de como se fosse um adeus, mesmo tendo a certeza de que vou te ver no outro dia.


E você foi. Foi sem dizer tchau, foi sem se despedir. Não pegou as coisas no guarda-roupa, não fez nenhuma discussão, não avisou pra onde ia, e nem mandou uma mensagem de texto. Não trouxe o leite que prometeu que compraria assim que saísse do trabalho e não soltou uma das suas famosas frases inspiradoras que me deixam refletindo por dias e dias. Você foi como quem sai de casa sem esperar que nada saia fora do seu roteiro, que a vida permaneça naquele mesmo capitulo, sem se importar em reler ele todo santo dia. Mas aconteceu.

O capitulo parou na metade de uma daquelas linhas, tão retinhas, um pouco antes do ponto final. O livro fechou instantaneamente e mesmo eu querendo abri-lo ele havia se perdido. E eu perdi você, sem me dar conta de que aquilo fosse acontecer. Perdi o abraço apertado a cada noite antes de dormir, perdi o cafuné quando via um filme, perdi o cheirinho de café que me acordava aos domingos, perdi você. Assim, sem mais nem menos, sem ninguém me explicar o porque. Afinal "é assim que as coisas são". E agora? O que sobrou de mim? Como eu me recomponho sem ter você ao meu lado? Como faz a vida continuar a ter cor se a minha tinta secou?

Eles dizem que a vida deve andar pra frente e que olhar para o passado não concerta nada, eles dizem que o tempo cura todas as dores que eu sentirei dentro e que no final vai restar só uma saudade fácil de segurar. Mas até lá o que eu faço? Com o arrependimento de não ter falado mais vezes que te amava? Com a angústia de saber que podíamos ter aproveitado mais os segundos juntos? Com o desespero de achar que a qualquer minuto você podia entrar pela porta e não vai mais? Não faz. Porque esses sentimentos permanecerão sempre vivos dentro de mim, mesmo o tempo passando e tratando de diminuir a dor, ela não some por completo. Mas não posso ser egoísta e olhar apenas o copo meio vazio. Pois até partindo, você conseguiu me fazer notar uma única coisa boa com todo esse meu pesadelo, a valorizar mais o momento de agora, porque ter um futuro lotado de "eu poderia ter feito" na cabeça, não é vida pra ninguém. 
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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.