Nova Perspectiva

22 de junho de 2017

Não tenho mais medo de ficar pra titia

A solteirice me assustava. É, eu sei, esse pode parecer um medo meio bobo, sem sentido, mas a ideia de envelhecer sem ninguém ao meu lado era devastadora. Por isso, durante muito tempo, eu fui aceitando estar em relacionamentos que já começavam fracassados, que não tinham nada de bom pra me dar e que sequer me faziam bem. Eu fui me espremendo pra caber em quem não tinha espaço, fui aprendendo a não mergulhar, porque a maioria dos caras que apareciam pra mim eram rasos e eu não conseguia afundar. Fui me acostumando com restos, com migalhas, com um amor dado a conta-gotas. Não importava se eu tava feliz, porque pelo menos eu tava com alguém… mesmo que esse alguém fosse meio idiota, que me fizesse de otária ou nem quisesse estar comigo. A solidão parecia ser muito pior. O que eu demorei pra me dar conta é que, de certa forma, eu já tava sozinha.

Durante anos eu passei por cima das minhas vontades pra viver relacionamentos bostas, desses que a gente precisa se esforçar um bocado pra fazer dar certo porque, naturalmente, eles já deram errado, sabe? Eu tinha medo da carência bater e não ter com quem matar, medo de morrer sozinha, sem ninguém pra cuidar de mim, e medo de não ter alguém pra segurar a minha mão quando a vida ficasse pesada demais preu suportar. Eu tinha medo de não curtir a minha própria companhia, de me achar um porre e querer fugir de mim, mas não ter pra onde ir. Só que eu também não podia continuar do jeito que tava, não podia continuar infeliz por medo de ser infeliz. Não fazia sentido! Ai que eu descobri que a vida fica muito mais leve quando você para de se obrigar a carregar pesos desnecessários. Eu tava levando relações que não tinham motivo pra existir, que me davam mais dor de cabeça do que felicidade e fui deixando de pensar em mim. Até que eu parei, respirei fundo, e decidi que dava pra ser feliz comigo mesma. E fui.


Por isso eu to aqui agora. Por isso eu quero e preciso contar pra você que também tá se obrigando a estar com alguém só pra não ficar sozinha, que tem coisa muito pior do que acabar ficando pra titia. Quer dizer, ficar pra titia nem é algo ruim de verdade! Pelo contrário... E isso você percebe depois que fica. Olha eu aqui respirando em paz depois de anos sofrendo com falta de ar por ter que estar em quem não me cabia. Olha eu aqui, tomando meu vinho com netflix quietinha quando dá vontade, fazendo viagens relâmpago pra lugares inimagináveis sem ter que dar satisfação pra ninguém, saindo pra onde me dá na telha e quando me dá na telha. Olha eu aqui, curtindo a vida livre, leve e solta. Olha eu aqui finalmente entendendo que a gente não precisa de mais ninguém pra ser completo, pra ser inteiro. Eu sou a minha própria metade da laranja. E você precisa ser a sua!

Estar solteira é uma oportunidade incrível pra se encontrar em si mesmo. De se amar. De se querer. De se desejar. De (re)conhecer aquela menina maravilhosa que mora dentro de você e tem andando de canto, esquecida, abandonada. É a chance de parar de chorar por quem não vale nenhuma das suas lágrimas e começar a rir sozinho até a barriga doer. Não é sobre não ter companhia pra jantar fora ou ir ao cinema, mas sobre ser a sua própria companhia. Sobre se chamar pra curtir e conseguir aproveitar cada segundo da vida sabendo que tá com a melhor companhia de todas. É sobre virar a noite onde quiser, com quem quiser e não virar se não tiver afim também. É mais, muito mais, do que um status pras redes sociais. É uma oportunidade de se relacionar com si mesmo, de ser feliz. De se fazer feliz. E se isso é estar encalhada… Tudo bem, deixa eu aqui sendo uma titia realizada pra caralho.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.