Nova Perspectiva

2 de maio de 2017

Você já pode ir em paz


Entre as noites de saudade e as manhãs de solidão, há um intervalo cuja dimensão comporta exatamente as letras do teu nome. Eu sei que disse que não ligaria, que você não faria falta e repeti outras inúmeras vezes o quanto seria bom ter um espaço a mais no guarda roupa e a nossa cama só para mim. Mas você sabe, eu sempre fui impulsiva, depois de umas taças de vinho então... E já era rotina, eu abria uma garrava e me afundava em cada gota todas as vezes que você não voltava para casa  nem retornava as minhas incansáveis ligações.


Eu te imaginava curtindo outros sorrisos, beijando outras bocas e sendo de outras que você sequer sabia o nome. E isso doía. Na verdade, ainda dói. Eu só não sei dizer ao certo onde. E eu me pergunto se também dói aí... Será que ainda lembra dos planos de uma outra lua de mel?  Dos sonhos que dividimos e multiplicamos juntos? Será que ainda lembra daquela poesia declarada ao pé do ouvido no fim da noite, acompanhada de promessas que agora já parecem tão distantes?

Me recuso a acreditar que nos compartimentos da tua memória não hajam mais recordações nossas e que essa dor ficou só para mim. Não é justo! Mas você nunca foi.. e a vida também não é - era isso que você dizia sempre. Infelizmente, eu não aprendi.

Você tinha razão quando falava que eu confiava demais e  por vezes insistia em enxergar o que a realidade era incapaz de confirmar. No fundo, você foi mais um. Igual aqueles que tanto criticou, talvez até pior. Incapaz de sustentar um compromisso e proteger um coração entregue em tuas mãos. Incapaz de amar e se permitir ser amado.

E eu lamento. Lamento por mim e pela ferida que aqui ficou, mais ainda por ti e tuas tentativas falhas de enganar e se enganar. Você sabe a gente não consegue sustentar por muito tempo o que não é. E por falar em tempo, ele ainda é o melhor  remédio e é por ele que espero. Acredite se quiser, eu aprendi a ser paciente e descobri que nas voltas que a vida dá é o amor que vem de encontro a gente. Você já pode ir em paz, e me faça o favor de não voltar. De preferência, nunca mais.w

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.