Nova Perspectiva

7 de maio de 2017

Sobre as contendas que alimentamos: pare de falar dos outros

Ser humano gosta de participar de discórdia. Ô bichinho ruim. Nunca vi. Todo dia que abro a internet é, no mínimo, uma polêmica diferente com dez mil comentários. Mas, o que mais me preocupa - e tem me incomodado muito de uns meses pra cá -  é a marcante presença disso no meio cristão também. Aí eu te pergunto: que cristianismo é esse?


Que cristianismo é esse que prefere utilizar o precioso e curto tempo que Deus nos concedeu nessa terra, pra contribuir em assuntos de polêmica e divisão, inclusive, entre os próprios "irmãos", ao invés de promover o amor e a misericórdia acima de todas as diferenças?

Que conduta cristã deturpada é essa que abre a boca pra amaldiçoar e condenar, em vez de bendizer e estender o perdão?

"Com a língua bendizemos ao Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. Da mesma boca procedem bênção e maldição. Meus irmãos, não pode ser assim! Acaso pode sair água doce e água amarga da mesma fonte?" (Tiago 3:9-11)


Que evangelho nós temos vivido?

Não é através de discursos de ódio, jargões religiosos, ameaças sobre o inferno e sobre a "mão de Deus que pesará" que manifestaremos o amor de Cristo. Aliás, me perdoem. Mas, esse não é o Jesus que eu conheço. E se eu não O conhecesse e Ele me fosse apresentado com a falta de amor e de sabedoria da qual muitos tem se utilizado, eu posso dizer com todo o perdão da palavra, que entendo as pessoas que o rejeitam. 

Jesus é irresistível quando bem apresentado. O problema é que Ele tem tido uma péssima representação.

As pessoas rejeitam um Jesus que eu também rejeitaria. Porque não é o meu Jesus. Não é Ele. Eu quase O ouço chorando ao falar ao meu coração enquanto escrevo isso:

"Por favor, diga aos que não me conhecem que Eu não sou o que dizem na TV. Por favor, Eu não sou o que tem sido pregado em tantos púlpitos por aí. Eu não roubo, eu doo. Eu não condeno, Eu salvo. Eu não mato, Eu sou a vida. Eu não sou um monstro, Eu sou um amigo. Eu não peço que eles mudem nada antes de chegar até mim. Que venham como estão! Eu os mudarei. Toda verdadeira transformação vem através de mim. Eu não defendo estereótipos. Eu não estabeleço padrões. Eu anseio que me conheçam. Eu mal posso esperar para que me deixem amá-los!

Mas, por favor, diga também aos que já me conhecem - ou pensam conhecer -  que Eu não sou um Deus fútil. Eu não me importo com suas picuinhas e discussões denominacionais. Eu não olho para o exterior. Eu não me resumo ou me detenho a debates sobre "poder ou não fazer", "poder ou não ir", não. Eu não me agrado de gente que ataca gente pra me defender. Não foi isso que eu ensinei. Essas palavras não foram minhas, essas ameaças também não. Eu os chamei para serem conhecidos pelo amor que conservam uns pelos outros. Eu ensinei que um reino dividido não subsiste. Eu ensinei a amar, a perdoar, a acolher. Eu não lhes mandei fazer acepções de pessoas. Eu não lhes institui juízes sobre ninguém. Eu não permiti que usassem meu nome pra assinar suas intuições e achismos. Eu os convido a ignorarem suas diferenças ordinárias, a fim de se unirem em prol de um propósito maior e extraordinário: aprender a amar uns aos outros com o amor com que Eu os amei e me apresentar aos que não me conhecem através desse amor, que se estende a eles também. Essa foi a missão que Eu lhes deixei."

Jesus tem sido mal apresentado. E isso é culpa minha. Isso é culpa sua. Isso é culpa nossa. Porque preferimos gastar nosso tempo atacando uns aos outros. Provocando dissensões e promovendo polêmicas. Alimentando nosso ego na tentativa de provar que estamos certos e o outro errado. Recorrendo às nossas habilidades e melhores fundamentos teológicos para escrever o melhor comentário na notícia da cantora "gospel" que foi no evento secular. Do pregador "gospel" que foi assistir o filme espírita. Do casal "gospel" que se divorciou e não quis expôr seus motivos. Quanta mediocridade.

Eu não estou aqui para simplesmente defender o discurso do "não julgues" ao qual muita gente recorre pra amenizar ou encobrir os pecados alheios e próprios. Eu não estou aqui para justificar erro algum. Eu não estou aqui para compactuar com o pecado dos outros ou dizer que devemos nos calar sempre. Eu só estou aqui pra dizer que o nosso foco está muito errado. Nós temos jogado pérolas aos porcos. Nós estamos usando nossa energia e teologia recorrentemente para ganhar a discussão em vez de ganhar vidas. Nós estamos utilizando nossa inteligência pra especulação ao invés do cumprimento da missão. Nós queremos "ganhar voz", mas estamos nos perdendo. 

Se seu irmão errou, não o exponha ou o difame: Ore por ele. Se a atitude do seu irmão, em sua visão, desonrou a Deus, lembre-se que Deus não precisa que você O defenda: Ele é que é seu defensor. E, da mesma forma, seu irmão não precisa que você o acuse: O trabalho do Diabo já é esse. Apenas ame. Esse é o nosso papel. 

"Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?" (1 João 4:20)

Ajude. Estenda a mão pro caído. Tenha compaixão pelos erros dos outros: Você também erra. Quem somos nós pra nos elevar a outro patamar? Somos todos réus. A nossa luta não é contra carne. A única carne contra a qual você deve lutar é a sua. Somos chamados pra examinarmos a nós mesmos, e não aos outros. 

Somos possuidores de direito à liberdade de expressão, mas nos esquecemos de que, só porque podemos dar a nossa opinião, não significa que precisamos ou devemos dá-la. Renunciar é abrir mão do seu direito. Sabedoria, é saber quando usá-lo.

Há tempo de falar e há tempo de calar. E tudo se resume a uma regra muito simples: Vai edificar? Vai acrescentar? Vai pacificar? Fale. Vai criar contenda, polêmica, divisão? Cale.


Você decide o que vai transmitir: benção ou maldição. Mas, não se esqueça:
As pessoas vão procurar na sua vida o amor que você tanto prega. Não vai ser falando da vida dos outros nos comentários do facebook que elas encontrarão. 


De quem quer representar Jesus certo,


Ghiovana Christini.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.