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1 de maio de 2017

Meu coração possui 5 petalas

É estranho como definimos nossas formas de amor…  Quando meu pai foi pedir minha mãe em casamento, ao invés de lhe dar uma aliança, deu-lhe uma flor. Uma rosa. Vermelha, linda, mas com muitos espinhos. No começo eu não notei, achei perfeito quando ela estava contando toda animada o começo do meu nascimento. Pensei que aquela rosa seria o simbolo do amor dos dois e como um simbolo, nunca morreria. Mas esqueci que toda flor está apta a murchar. 


Vi minha mãe carregando rosas pra todo lado, não por ela ser florista, foi mais pelo apego aquela declaração simbólica. Sozinha vi ela plantando nosso primeiro rosário. Perguntei por que tinha feito aquilo. Ela me olhou com olhar angelical e respondeu que precisava cuidar do seu amor, que aquele simbolo era um presente de um começo. 

Certo dia, vi meu pai chegando bêbado em casa, arrancando todas as rosas do canteiro. Cambaleando pelos lados ele arrumou suas malas às pressas e partiu, sem mais, nem menos. Minha mãe chorou por um mês e por um mês tentava plantar o que meu pai havia destruído. Ela cuidava mais das rosas do que do papai, pois achava que aquilo era o simbolo do seu amor. Estava cega, sendo guiada por metáforas... quem colocaria sua atenção em uma planta? Seria engraçado, se não fosse trágico

Mamãe colocava sua atenção em uma rosa porque o amor do papai estava nela. Eu nunca entendi o porque dele ter destruído todo o canteiro, mas agora eu sei. Ele precisava se desapegar, tirar as raízes do seu começo, da sua rosa. 

Não muito tempo depois, avistei uma amiga aos prantos. Disse que estava apaixonada e já não aguentava mais mentiras. Ela segurou minha mão e pediu ajuda com seu olhar cristalino. Apertei e expliquei a única coisa que tinha entendido naquela semana. "O amor é como uma rosa, linda, bela, chamativa, misteriosa, todos a querem, mas enxergam sua beleza sem se atendar em seus espinhos. Ao pegá-la, acabam sempre se machucando com a força e a necessidade de tirá-la. Não desviam e não possuem a calma para observar, acabando sempre, de algum modo, se machucando."

Uns definam o amor como um coração, outros, como um aglomerado de nervos ligados ao peito, já eu, sempre vou defini-lo como uma rosa.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.