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14 de maio de 2017

Feliz dia das mães, mãe

É… eu cresci mãe e algumas coisas mudaram. Já não caibo mais deita nos seus braços e nem durmo com você me embalando neles, mas a minha cabeça continua encaixando certinho no seu colo e ainda não inventaram remédio melhor que o seu cafuné pra acalmar a vida quando um furacão passa. Eu não obedeço mais tudo o que você fala e nem escuto todos os seus conselhos como se fosse uma verdade absoluta, mas sempre que alguma coisa dá errado eu lembro que você me avisou. Você sempre avisa, né!? Parece até bruxaria esse dom que mãe tem, afinal, vai entender esse sexto sentido que avisa tudo bem antes de acontecer, do frio que vem justamente no dia em que eu não quis levar o casaquinho, ao guarda-chuva na tarde de tempestade em que não te ouvi e deixei em casa, ao meu coração quebrado por aquele cara que desde o começo cê não gostou muito. Mãe sabe, as vezes a gente só não quer que vocês estejam certas.

Virar gente grande é um pouco assustador, sabe? De vez em quando dá muito medo, parece que nada vai dar certo, que as coisas vão desandar, sair do eixo. Cê diz que eu preciso ser forte, porque já to fazendo um bom trabalho. Talvez eu esteja mesmo, mas é que eu tive uma ótima professora. Eu sei que às vezes você morre de vontade de pegar todos os meus problemas pra você e resolver sozinha, fingir que eles são seus e tirar das minhas costas só pra me ver respirar aliviada. Mas aí cê só me manda engolir o choro e não desistir, que no final vai dar tudo certo. Eu preciso aprender a me levantar sozinha, mesmo sabendo que a sua mão sempre vai estar lá. E eu sei que é muito mais difícil deixar com que eu me vire sozinha do que arrumar a bagunça pra mim. No fundo, me assistir virar gente grande também é assustador pra você. Parece errado, não é!? Sua garotinha tomando as próprias decisões, construindo o próprio caminho, levando tombos e se machucando sem que você possa fazer nada pra impedir. Mas a gente tá fazendo um ótimo trabalho. Juntas.



Acho que eu nunca agradeci de verdade pelo que você é pra mim. Nem pelo que cê fez. Talvez cê nem tenha ideia do quanto é importante nisso tudo. Mas você é. Aliás, é tudo por você. Nunca te contei o quanto eu sou grata pelas noites em que você passou ao meu lado esperando a febre passar, e a garganta melhorar e a tosse sarar. Ou daquelas em que cê não pregou o olho porque eu não ia voltar pra casa antes do céu clarear e o mundo é perigoso demais pra você não ficar preocupada. Ser mãe é punk, não é!? Mas você é muito boa nisso. Também nunca falei obrigada por cada vez em que eu pensei em desistir de algo que eu queria muito e você me fez continuar, porque quando a gente quer, a gente insiste. Nem cheguei a te agradecer pelas vezes em que eu me quebrei inteira e mesmo você tendo avisado que isso ia acontecer, me ajudou a me consertar. Nunca falei o quanto as broncas foram importantes. É difícil a gente conseguir reconhecer o próprio erro, ainda mais eu orgulhosa como sou, mas você me ensinou que pra crescer às vezes a gente tem que engolir o próprio ego, abaixar a cabeça e assumir que fez merda.

É mãe… Eu continuo te dando dor de cabeça, né!? Agora eu não volto mais pra casa chorando com o joelho ralado, mas o coração as vezes volta um caco, tadinho, e isso te tira ainda mais do eixo, porque só mertiolate não faz sarar. Mas quero saber? O seu carinho faz. O seu carinho faz tudo ficar melhor. Aqueles dias difíceis ficam mais fáceis quando você tá comigo. Eu tenho sorte de ter você, sabe? E não é pouca não! Talvez eu não seja a melhor filha do mundo. Eu sei. Mas você me torna melhor todos os dias. E eu sei que se eu for um pouquinho da mulher que você é, já serei uma mulher incrível!

Feliz dia das mães, mãe.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.