Nova Perspectiva

19 de abril de 2017

Ela é um mulherão

Ela faz o tipo de mulher que só consegue ser oito ou oitenta, tudo ou nada, sim ou não, agora ou nunca mais. Com ela não tem esse papo de copo meio cheio ou meio vazio, ou tá ou não tá, sem enrolação. Não nasceu pra ser mais ou menos, não vê sentido em ser metade, meio termo, tanto faz. Não sabe ir com calma, se joga sem medo de onde vai cair. Às vezes se quebra inteira, mas nem liga, brinca que quem veio com dom pra vida não pode evitar vivê-la. E ela vive! Ah como vive... Quer tudo ao mesmo tempo, como se o universo todo fosse acabar amanhã.

É a mistura perfeita do amargo com o doce, a ogra mais carinhosa que o mundo já viu! É um pouco flor com uma parcela de rocha, metade bruta e metade meiga. É toda brava, cheia de querer dar ordens, mandar e desmandar e ai de quem ousar não fazer exatamente aquilo que ela quero. Tem o santo forte - e o gênio também, por isso não desiste fácil de nada do que quer. Corre atrás, vira noites, muda a terra de lugar, mas faz acontecer! Mimada que dói… Birrenta, teimosa, não sabe dar o braço a torcer, é orgulhosa, do tipo que não admite errar. Adora ser a dona da razão e odeia sair do eixo. É um furacão devastador que vira brisa de verão no mesmo dia, no mesmo instante. Uma confusão dessas de deixar qualquer um doidinho da silva! Xinga, bate o pé, reclama, faz bico e no segundo seguinte já tá rindo da cena ridícula que ela mesma cria.

Ela é maluquinha de tudo, mas tem o coração mais lindo que você vai conhecer! É dessas capaz de transformar o polo norte em deserto só com aquele sorrisão aberto que derrete qualquer um. Ela é aquela música boa que a gente escuta quando tudo vai mal e parece que traz a paz de volta. É calmaria no meio do caos e guerra em dias quietos demais. É cheia de incógnitas, enigmas, misteriosa, mas ao mesmo tempo é clara, simples. Não consegue fazer joguinhos, é transparente demais pra fingir que não quer, quando tá morrendo de vontade ou que quer quando não tá nem um pouco afim. Não faz o tipo que fica em cima do muro, nem que gosta de embromação, é sincera e direta. Doa a quem doer, que seja de uma vez.

Fala alto, chama atenção quando ri, fala palavrão como se fosse recurso linguístico e não tá nem aí pro que os outros vão pensar, vão dizer. Quero mais é que se dane! Não liga pra esse papo de ser o que não é só pra fingir educação pro resto do mundo. Ela é ela, com todos seus defeitos, meio resmungona, totalmente geniosa, com meia dúzia de sonhos quase impossíveis no bolso e o desejo de convencer o mundo das suas opiniões. E convence, viu!? Afinal, quem é que dá conta de não ficar hipnotizado com um mulherão daqueles? É toda segura, cheia de certezas, de pose, e deixa a gente de boca aberta só admirando aquele poder.

É dona de si, das suas vontades, dos seus desejos. Não abaixa a cabeça pra ninguém, não leva desaforo pra casa e nem engole aquilo que quer cuspir. Fala o que pensa, quando pensa. Tem como lema ser verdadeira com ela mesma, e é! Por isso não fica quando sente vontade de ir e nem vai quando o coração pede pra ficar. Sorte do cara que fizer ela querer estacionar a vida, e que ele não se esqueça nunca de que pra ir embora, é só dar a partida… e se for pra ser feliz, ela vai sem medo!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.