Nova Perspectiva

4 de março de 2017

Mas eu ainda tô te esperando

Parece que a minha cabeça se perdeu em algum lugar depois que você foi embora. Porque eu tento, tento de todo jeito escrever sobre outro assunto mas eu não consigo. Queria conseguir escrever sobre o emprego novo que consegui e sobre o apartamento que eu sempre sonhei alugar pra finalmente morar sozinha, e hoje consegui. Mas não adianta, tudo volta pra você, em como eu queria te contar isso. E hoje em meio a correria da mudança, os móveis chegando, o cheiro de tinta no ar.. Eu percebi que eu me dou melhor com a bagunça, com a desordem, talvez ela se complete com a bagunça que anda na cabeça e no coração. Eis que um silêncio imenso habita e minha campainha toca, mas toca com força, como se ela tivesse disparado. E aí meu coração pula, pula pensando que poderia ser uma visita sua, pula porque o toque era o mesmo que o seu quando queria assustar alguém. Meu coração pula com medo, de abrir aquela porta e não ser. Pula ansioso, torcendo pra que finalmente você tenha se cansado de viver em uma ilusão e que finalmente volte pra cá, pro nosso cantinho.

E aí, aí eu mudaria os móveis, eu mudaria a cor da parede do meu quarto, porque você não ia gostar nada desse rosa pink, e até trocaria a cama de solteiro por aquela box de casal que você sempre quis. Eu trocaria o lustre da sala e colocaria aquele seu que você não conseguiria viver sem. Deixaria você instalar seu vídeo game na televisão, assistir o jogo do corinthians na sala com os seus amigos todo domingo enquanto bebe sua cervejinha bem gelada. Eu reservaria metade do guarda roupa pra você, mesmo que eu precisasse me desfazer de algumas roupas. E dividiria o closet de sapatos com você, porque né, os seus cabem em duas gavetas. Eu até faria seu omelete de claras de manhã e só comeria hambúrguer de soja, que é a única coisa vegetariana que você gosta, gosta até mais do que eu, só pra te ver jantando comigo todos os dias e elogiando minha comida. Eu limparia sem reclamar a sujeira de óleo que você faz por todo o fogão quando resolve furar a dieta e comer batata frita. E até mesmo mudaria meus planos pra viver os seus primeiro. Assistiria aqueles filmes chatos de ação com você, sem dormir na metade. Faria aquele bolo de cenoura que você gosta todo mês quando quisesse um doce. E até mesmo entraria com você nessa vida de academia. Deixaria você ouvir suas músicas eletrônicas que eu odeio, só pra ver você dançando fazendo graça pra tentar me fazer rir. E escreveria as letras pra suas composições no violão. Eu mudaria até meu jeito ciumento de ser com você, pra não te irritar.

Porque agora amor, agora eu conheço a dor de ficar sem você e tudo que eu quero é me livrar dela. Agora eu conheço o silêncio abafando a minha angústia e se desesperando por um barulho seu. Agora eu sei o que é acordar e não te ver mais aqui. E nem ter suas ligações na madrugada quando perdia o sono. Agora eu sei o que é ficar sem você e posso te dizer que mesmo depois de um ano, a dor só continuou aumentando. E que agora meu amor, esse castigo pode acabar e você pode vir logo pra cá, correndo, batendo na porta e vindo direto pro meu abraço. Pode vir que eu deixo cê voltar, eu esqueço tudo que você fez, porque nada vale esse orgulho que só me faz continuar sem você. Eu deixo cê ficar, só me prometa que vai ser pra sempre agora. Porque eu já sei até o nome dos nosso filhos e dos cachorrinhos que vamos adotar. E já até escolhi o vestido de noite pra gente casar. Tá tudo pronto pra você voltar. É só você vir.

E aí, aí eu abri a porta. Eu abri e não era você.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.