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20 de março de 2017

Eu não te odeio mais

Confesso que tive raiva de você por muito tempo, eu não entendia como é que você podia abrir mão da gente depois do tanto que tínhamos lutado pra conseguir ficar juntos. Eu ficava me perguntando, como é que o amor pode acabar assim? Sem mais nem menos? Do dia pra noite? Como é que você esquece alguém que até ontem ia ficar pra sempre ao seu lado? Na minha cabeça não fazia sentido nenhum você chegar com esse papo de querer abraçar o mundo e precisar viver novas experiencias sendo que há pouco ainda falávamos em casamento. O que eu ia fazer com todos os nossos planos? Com aquela viagem que a gente tava pesquisando pro final do ano? Com a festa surpresa que eu até já tava preparando pro seu aniversário? E os nomes que a gente já tinha combinado pros nossos filhos?
Eu não conseguia compreender o que você esperava que eu fizesse com tudo aquilo, não fazia sentido jogar fora tanta promessa depois de tudo, mas você nem me deu outra opção.

Falei mal de você pra todas as minhas amigas. Minha família não conseguia nem ouvir seu nome sem fechar a cara, pegaram ranço de você depois de tudo o que me viram sofrer, sabe? Chorei por mais de um mês depois que cê me pediu pra parar de te procurar e seguir em frente. Eu não queria seguir em frente! Eu não queria te abandonar, soltar sua mão, deixar nossa história escorrer pelo ralo. Eu não queria que a gente se perdesse, mas você foi logo se jogando em outra estrada e nem me deu chance de te convencer a ficar um pouco mais. Nem me permitiu argumentar e te dar os meus motivos pra gente continuar. Se os dois tivessem se esforçado, a gente ter feito dar certo, mas você não queria mais que desse. Eu tentava achar uma explicação pra tudo o que tava acontecendo, mas por mais que eu me esforçasse, nada fazia sentido. Era patético! Eu me culpava por não ter sido suficiente pra você insistir, achava que o problema de tudo tinha sido eu, o meu jeito mandão, minhas manias, sei lá, mas não! O problema nunca esteve comigo.

Eu te acompanhei até cansar de ver as suas fotos nessas festas, sempre com uma menina diferente ao lado e um copo de bebida na mão. Você se tornou vazio depois que a gente se separou, quer dizer, as vezes eu até me pergunto se na verdade você já não era e eu, cega, apaixonada, não queria ver. Sofri com cada evento que você confirmou presença, fui até em alguns na esperança de te encontrar, mas cê fingia que não me conhecia, passava reto, como se além de jogar no lixo o nosso futuro, você também quisesse apagar o que vivemos no passado. E quanto mais você me expulsava, mais eu tentava me reaproximar, era doentio! Perdi a conta de quantas mensagens eu te mandei e você nem se deu o trabalho de me responder, ou de quantas ligações caíram na caixa postal até você bloquear meu número. Eu não queria aceitar que a gente tinha acabado, que todos os nossos momentos tinham se tornado insignificantes, eu não queria te tirar da minha vida e não entendia como você conseguiu superar tudo tão fácil.

Desejei que você sofresse tudo aquilo que eu tava sofrendo, porque era dor demais moreno! Cada pedacinho do meu corpo queimava, ardia, sangrava. Parecia que nunca mais ia passar, que eu jamais voltaria a ser aquela garota de sorriso leve, feliz. Eu só queria que você sentisse o que eu tava sentindo, que também perdesse algumas madrugadas aos prantos lembrando das nossas conversas, que olhasse as nossas fotos e sentisse o mesmo aperto no peito que eu sentia, a mesma tristeza e vontade de se enterrar na cama e não sair nunca mais. Queria que alguém tão egoísta e egocêntrico feito você, cruzasse o seu caminho e que te destruísse do mesmo jeito que você me destruiu, só pra você saber o que é ficar aos cacos por outra pessoa. Mas ai as semanas foram passando, eu comecei a conhecer gente nova, ir em lugares diferentes, respirar ares que não tinham seu cheiro e sentir gostos que não eram da sua boca e a mágoa foi perdendo espaço pra tanta novidade.

Deixei de te querer mal, porque acabei entendendo que não tinha espaço ai dentro pra mim. Cê é pequeno demais pro meu tamanho e eu não posso passar o resto da minha vida me diminuindo pra caber em você. Tem um mundo tão grande aqui fora e ele me acolheu com os braços tão abertos, que finalmente eu entendi o que é ser completa de verdade. Eu não te odeio mais, nem sinto vontade de te excluir da minha vida, te apagar das minhas lembranças ou esquecer pra sempre o seu nome porque você me tornou alguém mais forte, sabe? Bem mais inteira. Não te desejo mal e nem espero mais que você passe pelas coisas que me fez passar. Eu quero que você seja feliz, independente de com quem for, como for, desde que isso aconteça bem longe de mim.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.