Nova Perspectiva

13 de março de 2017

Amor X Orgulho


Orgulho e amor não podem coabitar. Foi o que pensei numa tarde dessas, assistindo um pôr do sol de fevereiro, enquanto a luz do dia se esvaia lentamente, dando lugar à lua. Pensei em você, e nas suas teorias bonitas.

É que a gente aprende desde cedo que, às vezes, precisa abrir mão de algumas coisas para ter outras. É o que na economia chamamos de trade-off. É o que no cristianismo chamamos de renúncia. É o que na vida chamamos de escolhas. Mais disso e menos daquilo. Perde daqui, ganha dali. E segue.

Nem tudo na vida é conciliável. Uma hora as coisas batem de frente e a gente precisa ficar de algum lado. Chega um momento em que a gente precisa escolher que lado da corda puxar pra não ficar em um cabo de guerra eterno que ninguém quer apaziguar. Nós dois bem sabemos disso. A gente sempre precisa abrir mão de algo, principalmente, quando se trata de amor. Pra amar, muitas vezes, temos que abrir mão de nós mesmos. É preciso ceder, meu bem.

É preciso esvaziar-se de si pra deixar o outro entrar. É preciso reduzir suas certezas pra deixar espaço pras do outro. Amor e orgulho são antônimos porque amar é ceder, você sabe. Amar é entrega que não visa retorno. Orgulho é recuo. Amor é abrir mão de ter razão sempre. Orgulho é razão que nem existe. Amor é pensar no outro. Orgulho é pensar em si.

E às vezes, eu penso que a gente tinha tanto pra ser amor. Mas a gente é cabo de guerra. A gente quer a mesma coisa, mas cada um puxa pra um lado. A gente é igual e totalmente diferente. A gente se sabe e todo mundo sabe da gente.

Eu gosto das suas frases prontas e respostas elaboradas. Eu gosto da sua simplicidade diante do meu show complexo. Gosto do brilho do teu olho que não olha mais pra mim. Gosto de você e como me desdobra quando eu me embrulho. Gosto do teu silêncio, quando eu só sei ser barulho. Gosto, mas não quero gostar, porque sentimento guardado na gaveta é entulho.

Somos direções opostas, somos corda que não cede, nem arrebenta.  Eu sou a paranoia da tua mente perturbada. Você é o meu verso bonito que só fica no papel. Eu sou o refúgio do teu olhar perdido e confuso. Você é o alvo do meu direto e certeiro.

Minha poesia dentro de ti é inspiração. Tua ausência dentro de mim é fagulho. Minha frieza pra ti é emoção. Tua fome pra mim é bandulho. Somos canto de boca, sorriso e piscar. Somos cisco no olhar que virou pedregulho. Eu sou metamorfose. Tu, exatidão. Eu sou amor... Você é orgulho.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.