Nova Perspectiva

13 de fevereiro de 2017

Você me mostrou que a gente pode amar de novo

Parece que a gente vai morrer, a primeira impressão é exatamente essa, de que não vamos conseguir suportar enfrentar de frente o fim, brigar contra ele, continuar em pé. Parece que é uma dor pesada demais pra nossa força e que vai nos esmagar, triturar, destruir. Parece que não vai dar, que é o ponto final. A gente chora, se descabela, fica meio apático, perde a vontade de sair da cama, de olhar o mundo, sorrir pro dia. Parece que atingimos o fundo do poço e nunca mais vamos conseguir sair de lá, ai você para um pouco pra pensar e afunda ainda mais. Machuca, muito mais do que deveria, vira marca, ferida, cicatriz, e quando passa a gente acha que perdeu pra sempre o amor da nossa vida. Eu achei.

Não sei onde foi que eu li que só somos capazes de viver um grande amor, mas depois disso eu deixei de acreditar que viveria uma coisa assim de novo. Já tinha passado a minha vez. Aceitei migalhas, coisa pouca, pequena, que não causava nenhum impacto dentro de mim. Me envolvi com pessoas que não me tiravam do chão, nem faziam nascer borboletas no meu estômago ou eu ter vontade de casar no dia seguinte. Engoli paixões, porque eu achei que aquilo era o máximo que eu poderia ter. E não dava certo, óbvio. No fim do dia lá estava eu com as redes sociais do outro aberta, fuçando, procurando, arrancando a casquinha da ferida pra fazer sangrar de novo. Eu nunca mais ia sentir aquilo. E isso era a pior parte da despedida. Eu nunca mais ia querer morar dentro de um abraço, passar o dia sonhando acordada, sentir o corpo inteiro tremer só de chegar perto. Eu nunca mais ia ter vontade de passar a tarde em silêncio com alguém vendo o sol-se-pôr sem que a falta de barulho incomodasse. Nunca mais ia ouvir músicas e ficar pensando no quanto se encaixava na história, nem assistir aqueles romances água com açúcar com a certeza de que pra mim também seria um final feliz. Era só um final. E isso era triste. Eu parei de acreditar no amor, aquele que mantém meus avós casados há mais de quarenta anos e faz com que eles sorriam um pro outro todos os dias como se tivessem se conhecido mês passado. Eu deixei de acreditar porque tinha perdido o meu amor e a gente só vive isso uma vez. Eu vivi. E perdi. E o vazio dentro do meu peito nunca mais ia ser preenchido.

Até que eu te conheci. E tudo mudou.

Eu já tinha desistido de sentir meu coração acelerar a mais de 200 por hora. Já tava até meio conformada que eu nunca mais ia ter a cabeça nas nuvens e nem uma dessas histórias que a gente enche a boca pra falar. Eu já tinha aceitado que o mais perto que eu ia chegar dessa coisa toda era achar uma pessoa que não me fizesse querer sair correndo no segundo seguinte porque depois que a gente sente muito, é difícil se acostumar a sentir pouco e achar que só isso tá ótimo. No fundo, eu acho que já nem tava mais procurando alguém. Nem acreditava que eu pudesse achar. E olha que eu nem esperava algo tão grande, só queria tapar essa buraco que vivia aberto no meu peito, mas já tava cansada de tantas tentativas frustradas que me faziam voltar sempre pro mesmo lugar, pra mesma pessoa. E quando você se aproximou sem intenção de me bagunçar inteira, eu nem me preocupei. O alarme de emergência não apitou, nada saiu do lugar, a casa continuou intacta. Parecia que tudo tava normal, igual. Mas não tava. Você veio pra provar que todas as minhas teorias estavam erradas. A gente não vive um amor só uma vez na vida.

Não sei quando aconteceu. Nem se foi do dia pra noite, de um segundo pro outro, no primeiro olhar, primeiro beijo. Não sei se já era desde o começo ou se só virou de repente. Mas em algum momento eu tive um instalo, alguma coisa mudou. Você plantou uma sementinha e eu nem vi, ai ela foi crescendo e crescendo e crescendo até que tomou conta de mim. Eu só fui perceber dia desses, quando notei que tem seu cheiro impregnado em cada canto da minha alma, que você é a minha última página visitada em todas as redes sociais, que me fez voltar a querer casar amanhã, a sonhar acordada e a ter vontade de morar dentro do seu abraço, pertinho do coração. Só fui perceber quando eu vi que cê faz a minha respiração mudar só de invadir meus pensamentos, que quando você chega perto e me olha nos olhos eu ultrapasso a escala richter. Só fui perceber quando eu vi que fico esperando as suas mensagens, que cê é o meu assunto preferido, provavelmente minhas amigas nem aguentam mais ouvir seu nome e eu to com um sorriso bobo grudado no rosto há mais de um mês. Eu percebi quando olhei pra mim e vi que pela primeira vez depois de muitos anos eu não to mais afundando, eu to subindo, saindo do poço, da lama, e é a sua mão que me puxa pra cima. Eu percebi porque você não é alguém que só preencheu um buraco, cê não tapou um espaço vazio, porque ele deixou de existir quando você chegou. Todo o resto deixou de existir, de importar, de doer. Eu fechei um livro antigo e peguei um novo. O nosso. E ele é ainda melhor e mais lindo e me deixa meio piegas e eu adoro isso.

Você me mostrou que aquela frase tava errada. Que tudo tava errado. Eu, toda cheia de ser a dona das certezas, cai do cavalo. E foi o melhor tombo da minha vida. A gente pode amar de novo. E eu te amo.

Um comentário:

  1. Você é demais, esse texto e exatamente o que está acontecendo comigo ��

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.