Nova Perspectiva

2 de fevereiro de 2017

Nunca fomos um "nós"

Nunca fomos um nós. E hoje eu sei.

Hoje eu vejo que todas aquelas incertezas ao afirmar aos outros sobre o que viria pela frente, ou o que estava no momento presente não eram em vão. E hoje percebo que a tremedeira em sua voz para me reafirmar ou tomar a iniciativa também não. Percebo que situações desnecessárias poderiam ter sido evitadas com uma conversa que poderia terminar dolorosa,
mas que evitaria que tudo terminasse como foi. Teríamos nos machucado, mas não tanto como fizemos um ao outro e com nós mesmos durante esse tempo em que nos enganávamos o tempo todo dizendo que estava tudo bem quando não estava.

Hoje eu vejo que tudo o que queríamos era o bem um do outro e nisso nos tornamos egoístas, nos gostávamos, nos adorávamos e nos amávamos, mas não éramos nós, não partilhamos das mesmas ideias, vontades e perspectivas para o futuro. Enquanto eu queria o apartamento decorado com a minha cara, você queria abraçar o mundo e morar em dois países diferentes em um ano; eu queria a paz de onde nasci, e você o mundo que te observa e chama desde que você nasceu.

Hoje eu choro quando vejo suas publicações, e não sei se é o misto da emoção em vê-lo sorrir e saudade, ou a tristeza embalando-me no pensamento do que fomos e deixamos de ser. Mas estou bem, recuperada. Acabo de embalar a última caixa e amanhã amanhecerei no apartamento em frente àquele barzinho que nos fazia companhia nas sextas após o trabalho, ainda o frequento, mas acho que vou parar, quero finalmente a paz do meu cantinho, que mesmo sem você, será meu lar e refúgio: sem o nós.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.