Nova Perspectiva

3 de fevereiro de 2017

Nosso amor morreu antes de brotar

Eu gastei quatro madrugadas em claro, mais de oito xícaras de café e alguns shots de tequila para entender e engolir que não era você. Sua passagem na minha vida estava de dias contados bem antes da sua chegada, já tinha passagem de volta com data pré marcada, só que eu custei a aceitar. Não queria acreditar que o cara que eu havia me apaixonado e amado não faria parte do futuro que havia sonhado, mas quando a vida te joga uma verdade dessas na cara você não pode fechar os olhos e fingir que não viu, como você faz com aquela sua vizinha inconveniente quando a vê no mercado. 


Eu sei que o termo “amor da minha vida” pode parecer um pouco pesado e intenso e que você nunca gostou muito dessa ideia de eternidade, sempre apostou suas fichas nas suas racionalidades, mas eu te chamei assim. Sussurrei deitada do seu lado na primeira vez que dividimos uma cama de solteiro, naquele dia em que você pegou no sono pesado e eu sabia que você não ouviria. Na minha mente tão cheia de maluquices você era o cara que tinha chegado para ficar. Eu jurei de pé junto que era você pela forma que seus olhos encontravam os meus em meio à multidão, pela forma que as suas mãos procuravam as minhas e não havia quantidade suficiente de pessoas que pudessem desfazer nossos dedos entrelaçados no meio da rua. 

Olhando assim podem até achar que vivíamos um conto de fadas americano, mas não. Era o nosso conto de fadas da vida real, com brigas, discussões e desentendimentos como qualquer outro relacionamento normal, mas no final do dia o coração apertava e era como se estivesse faltando uma grande parte. Você não dormia e eu só rolava na cama com a insônia. Lembra quando eu te pedi para nunca dormirmos brigados? Que mesmo com tantas diferenças encontrássemos a nossa interseção? Você nunca levou em consideração, meu amor. Parece que você também sabia que não éramos para acontecer, mas ainda assim teimava como eu. 

A gente teimou por tempo demais. Nosso quase amor chegou como um furacão de sentimentos que perdeu a força com o passar dos dias. Tentamos viver um amor que nunca chegou perto de ser realmente amor. Porque pelo pouco que sei – se é que eu sei algo sobre isso – é que amor não causa medo, não te faz sentir como se seus pulmões estivessem entupidos e não é como se seus órgãos fossem congelar a qualquer momento. A chama apagou. O que era quente e fazia o peito arder congelou. Nosso quase amor morreu antes de brotar. 

Enquanto eu sonhava com um futuro que não existiria, você puxava meus pés para a realidade. O que eu amei foi a ideia de tudo que poderíamos ter vivido juntos. Amei todos os lugares que não conhecemos. Amei o restaurante italiano que você não me levou de surpresa no meu aniversário porque sabia que eu queria conhece-lo. Amei aquela carona na chuva que você não me deu. Amei aquele dia de praia ensolarado onde os olhos não embaçaram por causa do sol, porque nós nunca nem pisamos na areia. Amei a declaração de amor em público que você nunca fez. Aquele para sempre que nunca foi pronunciado por você, porque seu medo do futuro sempre impediu desse amor se tornar algo real. 

Então não me olha assim. Não me olha como se pudesse ver através de mim. Não procure mais meu olhar no meio de toda essa gente, pela primeira vez os nossos dedos precisam se desentrelaçar. O terremoto dos meus sentimentos nunca foi suficiente para te fazer sentir por mim o que eu senti por você. Doeu em mim perceber isso, mas doeria mais se eu fechasse os olhos e tentasse me encaixar num espaço que não me cabe mais.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.