Nova Perspectiva

28 de fevereiro de 2017

No fundo é fácil ser feliz

No fundo é simples ser feliz.
Difícil é ser tão simples
(Leoni)

Aprendi a ser simples. O pouco já me basta, e isso não significa que qualquer coisa serve: são as pequenas grandes coisas que me conquistam. Aprendi a desapegar das grandezas e hoje percebo as nuances escondidas na mesmice: nenhum nascer de sol tem o mesmo tom que o outro. O mar nunca amanhece igual ontem e sempre tem uma folha - a mais ou a menos - nos sombreiros da praia. Eu vejo, todo dia. Vezes tantas de sol, vezes de chuva, quando chovia. A rotina é tão cheia de acasos. Para quê reclamar da vida, só por ela ser repetitiva todos os dias?
Quem o faz, é porque não nota a simplicidade impregnada nas frestas da cortina, na rachadura no gesso, na dança que o leite faz com o café, no doce da ameixa - que deveria estar azeda, no pé de pitanga que ficou vermelhinho de um dia para o outro, no cheiro de milho verde cozido que vem junto da brisa do mar, naquele corredor que outrora foi fresco.

O fio do telefone se enrola em forma de coração - sem querer. O chefe acorda de bom humor e te abraça ao dar bom dia. O uniforme ganha um pouco de cor. As pessoas tem clima de sexta-feira. O ar tem cheiro de folia, tem tom de 'quero-um-descanso' e 'oba-amanhã-é-sábado'. A moça, cadeirante, debaixo da ponte, estende um lençol cor de rosa no gramado batido. A sobremesa tem morango. O sol tem preguiça de se levantar e vejo o mar tingir-se, pouco a pouco, de laranja. Há paz no quarto, assim que o ar-condicionado desliga. Há tanta coisa linda e leve e despercebida, que passei a ser um tico mais feliz por percebê-las, embora não com a habilidade de um bom fotógrafo.

A vida está cheia de belas nuances. O segredo da felicidade está em aprender a enxergá-las. Não há rotina que sobreviva, não há mau humor que vença.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.