Nova Perspectiva

23 de fevereiro de 2017

Não há nada de mal em mudar


Uma das frases que eu mais gosto de ouvir é aquele bom e velho “você mudou”. Antigamente eu vivia encucada me perguntando aos quatro ventos se isso era bom ou ruim, hoje eu vejo que não importa essa resposta. Porque talvez, o bom para si mesmo pode não ser o mesmo de quem te observa e eu acredito que cada mudança acontece por alguma razão bem característica na nossa vida. Como quando somos crianças e decidimos que queremos nos chamar de adolescentes e provar que somos maduros o bastante para que lidem conosco como adultos. E fazemos disso uma nova fase em nossa vida que merece ser levada a sério. Pois bem, acredito que mudar seja isso, iniciar um novo ciclo da vida.

Independente do motivo, a mudança é algo que acontece gradativamente sem que você perceba, em um dia você gosta muito de uma banda, de uma cor, de uma pessoa, de um lugar...a medida que o tempo vai passando as músicas da antiga banda se tornam sem expressão, a antiga cor favorita parece perder o brilho para uma nova, a pessoa que acelerava seu coração, passa a ser só mais uma em meio a multidão e aquele lugar que você costumava ir sempre, não te faz mais se sentir em “casa”. E aí vem aquele sentimento de nostalgia e as vezes até arrependimentos somados aquele comentário “que fase”. E você fala isso sem perceber que mudou completamente porque aquilo, não passou exatamente disso, de uma fase.

E estamos em constante mudança, conhecendo coisas novas e pessoas novas o tempo todo, que parece que mudam um pouco dentro de nós. Você conhece um novo bar em que fica apaixonado, e ouve uma música na rádio que te faz sentir tão vivo que você precisa dançar sem se importar em quem estiver olhando, conhece pessoas que acalmam seu coração e lugares que você jura, parece que foram feitos sob medida para você. E floresce, renasce, revive. Algo dentro de você toma forma e você acaba sem querer, conhecendo um pouco mais de você que não havia aparecido até então, olha uma nova etapa da vida surgindo aí. E ela vai continuar até que as coisas comecem a perder o sentido e outras comecem a ganhar, e o ciclo não termina. É como se você virasse uma flor que brota, floresce de mil jeitos e trejeitos diferentes....

Então, não há nada de mal em mudar. É até engraçado ver o quanto mudamos no decorrer de tanto tempo de nossa vida que as vezes, passam por nossos olhos e nem nos damos contas. Não há nada de mal em se apaixonar por novas bandas, se apaixonar por novos gêneros de livros e por aqueles filmes clichê que você jurava que não faziam sentido algum. Não há nada de mal em se reconhecer e se permitir gostar de coisas que antes você detestava, você pode até voltar a gostar de ir naquele bar que você foi quando tinha uns 16 anos, porque não há nada de mal em mudar. E quando alguém disser “você mudou”, abra um sorriso e diga “ainda bem”.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.