Nova Perspectiva

20 de fevereiro de 2017

Hoje eu lembrei da gente

Hoje eu acordei mais cedo que o normal, até tentei dormir de novo, descansar pelo menos até a hora do despertador tocar, me esforcei pra enrolar um pouco mais na cama, virei de um lado, virei do outro, mas aquela era uma luta perdida, assim como tentar te esquecer. continua sendo. Ainda tava escuro quando eu levantei e abri a janela, fiquei observando a rua, o silêncio, o vazio. Ventava mais que o necessário, ainda é verão, mas de madrugada parece inverno e eu não tenho mais o seu corpo pra me esquentar. Doeu e eu não sabia explicar direito o por quê, nem onde. Se naquele momento me perguntassem em qual canto do corpo a saudade vive, eu não saberia responder, porque tudo sangrava o seu nome.

Quando eu me dei conta de que mesmo que eu andasse de um canto pro outro na sala a insonia não ia passar, eu desisti, cedi, caminhei com os dedos até o celular e abri as suas redes sociais pra ver se desse jeito o meu coração sossegava um pouco. Eu sei que não devia fazer isso, eu sei que prometi um milhão de vezes que te tiraria da minha vida pra sempre, eu sei que é meio masoquista me alfinetar desse jeito e que não faz sentido nenhum me afundar ainda mais, mas de vez em quando é insuportável controlar a falta que você faz na minha vida. Me arrependi segundos depois, confesso, mas não deu tempo de evitar, fui abrindo uma a uma e de repente lá estava você estampado na tela do meu computador, sorrindo, feliz, e sem mim.

Uma dúzia de fotos novas, cinco ou seis eventos confirmados, um monte de comentários daquelas meninas que eu não gostava. Cê lembra quando eu dizia que elas só tavam esperando eu cansar pra cair em cima de você? Acho que no fundo cê sabia disso e gostava de ter várias no seu pé, gostava delas me provocando e deu quase não conseguir me aguentar de tanto ciúmes. Você sempre gostou de se sentir o centro do mundo, como se tudo girasse ao seu redor. Seu ego sempre foi imenso, uma pena eu ter achado que o nosso amor podia ser maior que ele. Nunca foi. Agora eu sei, agora eu vejo... e enquanto isso elas tão ai, aproveitando seus beijos vazios, seus abraços soltos, suas promessas secas, e eu to aqui, quietinha, na minha, te vendo de longe, te assistindo escondido, vendo você continuar seguindo em frente sem sequer olhar pra trás, sem sequer sentir minha falta.

Talvez se eu soubesse como foi que você conseguiu esquecer tudo tão rápido, eu esquecesse também, mas tudo me faz te lembrar. É a padaria da esquina que a gente ia tomar café, a sua música preferida que toca o tempo todo na rádio, o show daquela banda que cê adorava que tá chegando e todo mundo vai, o resto do seu perfume que ficou no armário, as nossas mensagens que eu não tive coragem de apagar, o seu moletom velho que ainda me serve de pijama, as noites que ficaram mais longas sem o seu peito preu fazer de travesseiro, o seu facebook que ainda é a minha última página vista, o seu sorriso que eu não consigo apagar da memória, o seu gosto que insiste em continuar na minha boca. Você ainda sobrevive em cada canto do meu corpo, da minha alma, do meu ser. Você ainda sobrevive quando eu me esparramo na cama e sinto ela grande demais e engulo o choro tentando fingir que é só um pesadelo. Mais um.

Sobrevive enquanto eu tento me convencer de que é só hoje, sim, só hoje que eu lembrei da gente, só hoje que eu te quis de novo, só hoje que eu te procurei, só hoje, E ontem. E anteontem. E todos os outros dias desde que você foi embora.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.