Nova Perspectiva

22 de fevereiro de 2017

Aquele sentimento sei lá que todo mundo tem

Vivo com um medo permanente de tudo. É medo da minha habitual auto sabotagem ou é medo do mundo todo. Descobri, após muitas reviravoltas na vida, que não sou a única a se sentir assim. A verdade é que estamos apavorados por viver, porque significa que tudo e todos que conhecemos um dia simplesmente irá desaparecerá. E o que é que vai restar? Fotos, memórias, livros e museus com nossos aparatos tão úteis um dia e totalmente descartáveis no outro.

Não dá pra negar que ninguém quer morrer totalmente, quer pelo menos ser a lembrança amorosa na mente de alguém antes de dormir, quer ser lembrado pelo seu senso de humor ou simplesmente saber que aquele sentimento que tinham por você não morrerá. Mas morrerá. Vai se esvaindo aos poucos e tudo que a gente deixou vira poeira do tempo e é varrida pra debaixo do pano. Um sábio escritor já disse: ao vencedor, as batatas. E é bem isso, no fim da vida, quando a memória é póstuma, já não há muito que se fazer para se tornar eternamente memorável: a não ser que você seja um grande filho da puta ou um grande talento de qualquer área. E nós, pobres mortais, nos desesperamos com a simples ideia de desaparecer, forçando a imortalidade com um milhão de fotos, vídeos, textos e inundando os outros com mensagens. É aquela sede de viver e mostrar o agora, para mostrar que por um ou outro motivo a gente continua vivendo - mesmo sabendo que nada somos além de instantes, prestes a evaporar a qualquer momento.

O certo é que sempre é tarde pra voltar atrás quando a gente se dá conta do que perdeu ou deixou de fazer por estupidez. Só que o agora é sempre mais flexível que o passado, porque podemos tentar guiá-lo para acontecer tudo da melhor forma possível. Aproveitar o presente não é sinônimo de ser irresponsável nem de ser idiota com as pessoas, significa que é preciso tirar o máximo proveito de todas as oportunidades, de amar sem limites, de voltar pra casa feliz por ter um lar, por saber que a família - mesmo complicada  - tá ali pro que der e vier.

Viver com a cabeça no futuro, no que será, no que não será e a pressa de querer saber o que vai acontecer acaba causando um estado de ansiedade em que pensamos que só acontece com a gente. Mas, vai por mim, quase todos param pra pensar nessas relações pelo menos uma vez na vida. Ninguém quer ser esquecido, ninguém quer perder o controle sobre a imagem que construiu. Mas infelizmente o jeito é lidar com isso e fazer as melhores escolhas enquanto ainda é possível. Porque a morte chegará pra mim, pra você, pra nossos amados e para aqueles que acabaram de ser paridos.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.