Nova Perspectiva

31 de janeiro de 2017

Meu querido ex-amor

Como é que estão as coisas por aí? A faculdade acabou? E os planos da sua pós, tão dando certo? Vi que você saiu daquele seu emprego chato, fiquei feliz com isso, ele te transformava em um cara muito mal-humorado. E a sua alergia? Cê descobriu se era do pó ou do ar condicionado? Espero que esteja melhor agora ou, pelo menos, tenha parado com aquela mania besta de se automedicar. Ah, eu encontrei com a sua mãe dia desses no supermercado, ela te falou? Uns amigos iam em casa e eu tava comprando os ingredientes pro jantar. Pois é, cê acredita que eu aprendi a cozinhar!? E nem tenho queimado muitas panelas, até agora só foram três.

Eu sei que demorei pra te escrever, logo eu, toda metida a escritora, fiquei com os dedos calados por não saber o que dizer, mas é que foi difícil de entender o seu lado nessa história, sabe? Eu tive muita raiva no começo. Queria te bater, te xingar, te apagar da minha vida! Não entrava na minha cabeça como é que você podia desistir da gente depois de tudo aquilo que tínhamos vivido juntos. Eu não conseguia compreender como cê podia simplesmente pegar as suas coisas e ir embora, depois do tanto que a gente lutou pra dar certo? Abrir mão do nosso amor sem mais nem menos? E os nossos planos? Os filhos que a gente tava planejado ter daqui uns anos? A casa na praia que a gente ia comprar depois de casar? As viagens que já estávamos até marcando? Você tava jogando tudo fora, como se fosse descartável, e eu não aceitava aquela situação.

Chorei mais de 30 dias depois que você se foi. Eu me culpava e te culpava e culpava o resto mundo, como se o universo inteiro pudesse estar conspirando pra fazer a gente dar errado. Na minha cabeça, tinha de haver alguma razão pras coisas terem saído do eixo, afinal como é que pode o amor acabar assim? Do nada? Eu queria achar uma explicação, qualquer uma, que tornasse mais fácil suportar tudo aquilo, mas nada fazia sentido. O nosso fim doeu muito mais do que eu pretendia que doesse, tinha horas que eu queria arrancar meu coração só pra ver se melhorava um pouco, mas ele continuava lá, doendo, latejando, me fazendo lembrar o tempo todo que eu não tinha sido suficiente pra fazer você querer ficar. Eu revirava suas redes sociais, ver você feliz, sorrindo nas fotos com seus amigos, cheio de meninas que eu nem conhecia, me matava ainda mais.

Eu não conseguia te ver feliz sabendo que eu não era mais o motivo da sua felicidade. Te ver sorrindo por aí era como ser acertada por um tiro bem no meio da alma, eu detestava! Acho que todo mundo fica meio imaturo quando uma relação acaba. Principalmente quando não é a gente que termina. Eu fiquei. Comecei a espalhar que você não valia nada, que era desses um babaca, sem noção, e que tinha me destruído. Depois me contaram que você sofreu também. Que chamou algumas garotas pelo meu nome e tentou saber de mim pelas minhas amigas. Falaram que você também chorou e que nem foi só uma vez. Que em algumas festas até voltou mais cedo pra casa porque sentia a minha falta e que demorou pra parar de comparar as outras comigo. O fim dói pra todo mundo, não é? Hoje eu sei. E é por isso que eu to te escrevendo.

Queria te contar que eu to forte agora. Voltei a dar aquela minha gargalhada escandalosa pelos bares da cidade e a falar bem do amor depois de alguns copos de cerveja. Voltei a acreditar nele, porque não é por que a gente acabou, que ele não existe mais. Terminei de reformar o quintal, aprendi a trocar lâmpada e comecei a cozinhar (to repetindo, só pra você ver que não é brincadeira). E antes que eu me esqueça, tranquei a faculdade semestre passado, você tinha razão, ela não era pra mim, vou tentar letras ou viajar pelo mundo, ainda não sei. Continuo cheia de dúvidas. E você, ainda tem tantas certezas? Não dorme com louça na pia e enlouquece quando tiram suas coisas do lugar? E ela, tá cuidando bem de você? Pois é… eu vi a sua mudança de status e até fiquei contente com ela. Meio doido, cê não acha?

A vida seguiu em frente, pra mim e pra você. E não tem nada de errado nisso! Eu finalmente consegui entender que cê não era o príncipe encantado que ia viver pra sempre comigo, mas que isso não apaga o encanto das coisas que passamos juntos. Foi ótimo e ponto. Acabou, E tudo bem! Não vai ser você o pai dos meus filhos, nem o cara que vai conhecer a Tailândia comigo, mas foi você que tirou meus pés do chão e me fez perder o medo de amar. Também não sou eu a garota que vai dividir as contas de casa com você e nem quem vai estar segurando a sua mão numa cadeira de balanço daqui uns cinquenta anos, mas fui eu quem te fez falar o seu primeiro “eu te amo”. Não é mais nós, nem vai ser, mas foi assim por muito tempo. É isso que importa.

Muito maior que o nosso fim e que a dor que eu senti quando a gente acabou, foi a beleza dos dias que vivemos juntos. O nosso amor não é menos amor só por não ter durado o resto da vida. A gente durou o suficiente pra termos sido eternos um pro outro, é isso que vale no final. E por tudo o que enfrentamos juntos, eu quero que você seja feliz, seja com ela ou sozinho ou com qualquer outra pessoa. Quero que o teu sorriso continue lindo desse jeitinho e as que suas covinhas nunca sumam, porque elas são uma graça só! E que cê nunca duvide que a gente deu certo sim, porque eu não vou deixar de acreditar nisso. Quero que você fique bem esteja onde estiver e que tenha certeza que, daqui do meu canto, eu to te vendo e agradecendo, porque, no fim, agora eu entendo que cê sempre fez o melhor pra mim, até quando resolveu ir embora de nós.

Muito obrigada.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.