Nova Perspectiva

6 de janeiro de 2017

Deixa eu te conhecer de verdade

Me convida pra entrar na sua casa, na sua vida, nos seus dias. Me oferece um drink, um café, um chá, um beijo. Me mostra a sua zona, o seu caos. Deixa eu ver a poeira fora do tapete, a roupa bagunçada no armário e a sua cabeça tumultuada de pensamentos conflitantes. Me fala dos seus medos, dos seus pesadelos, daquilo que te tira o sono. Me conta os seus dramas e aquelas histórias que cê nunca contou pra ninguém, fala dos seus traumas, dos seus tombos, machucados, hematomas. Me mostra quem você é quando mais ninguém tá vendo, antes de dormir, quando o calo aperta, quando a insegurança bate.


Eu quero conhecer quem você é de verdade, sem armadura, sem bancar o fodão, o cara dos sonhos, irresistível. Quero que você se abra pra mim, que deixe eu te ver sem efeitos, sem máscara, sem disfarce. Me deixa enxergar os teus defeitos, os teus erros, as suas falhas. Não quero joguinhos, meias palavras, meias verdades. Eu quero que seja você transparente, quero conseguir olhar a tua alma. Quero conhecer as suas inseguranças - e te mostrar as minhas também, por que não!? Quero saber o que te faz chorar, o que te arranca suspiros e o que tira teus pés do chão. Quero que cê me conte o que é que te faz viajar sem sair do lugar, quais seus sonhos, seus projetos e planos. Quero dividir os meus com você e te ver discutir como é que a gente faz pra uma vida caber na outra.

Me fala das suas bandas preferidas, do filme da sua vida e daquele livro que cê não tira do criado mudo. Me conta do seu trabalho, do seu chefe meio mau humorado e do curso que você quer fazer. Fala das notícias do jornal, da crise no mundo, da nova novela das nove, do seu mapa astral. Me mostra a sua lista de desejos, os lugares que você quer ir, os pratos que você quer comer. Me marca nas publicações que você curtiu, mesmo quando não tiverem nada a ver com a gente, me manda músicas, textos, frases, fotos. Manda selfie fazendo careta, conta piadas que me façam rir até a barriga doer, assiste minhas séries comigo durante as suas madrugadas de insônia.

Me fala de você, mas sem tentar bancar o gostosão irresistível. Fala dos seus defeitos, do seu jeito desengonçada e da sua falta de tato pra falar de sentimento. Me conta as suas histórias. Todas elas. Fala da sua primeira namoradinha da escola, do seu primeiro beijo, do primeiro porre, do primeiro amor, aquele que tirou o sono e o eixo. Me conta a primeira vez que te machucaram e de como você jurou não se apaixonar de novo... até que me conheceu. Ri dos nossos silêncios, mas não deixa a conversa morrer por falta de assunto. Deixa eu te entender, eu te conhecer, saber como cê pensa, vive, sonha. Deixa eu ver tua alma, que eu te mostro a minha também.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.