Nova Perspectiva

1 de dezembro de 2016

Quero viver um amor que me traga paz

Já vivi alguns amores explosivos, desses que a gente encosta e sai com a alma toda arrebentada. Já me joguei de precipícios sem pensar onde aquilo ia dar. E me estraçalhei com a cara no chão. Já passei noites em claro sonhando acordada com aqueles romances hollywoodianos e acabei vivendo alguns pesadelo que me tiraram o sono por madrugadas intermináveis. Já jurei amor eterno pra alguns amores que duraram menos que uma semana. Já fui intensa. Senti demais, amei demais, sofri demais. Mas hoje eu já não vejo muita graça em tudo isso.

Cresci um bocado nos últimos meses, e se tornou meio bobo esse papo de cair de cabeça em histórias que a gente nem sabe se vai dar pra afundar. Hoje eu quero um amor maduro. Sem promessas incumpriveis e um montão de planos difíceis da gente realizar. Eu quero algo leve. Quero andar de mãos dadas pelas ruas caóticas dessa cidade, quero almoçar na casa dos seus pais e te ver instalar a prateleira nova da minha mãe enquanto ela diz que você é o melhor genro do mundo. Quero ir ao cinema no meio da semana e ficar o filme todo abraçadinha com você. Quero viver uma eterna tarde ensolarada, porque eu já cansei de enfrentar tempestades.

Sabe aqueles romances que a gente tem que lutar muito pra conseguir colocar no eixo? Eu torrei a minha cota investindo neles. É que eu achava que pra ser de verdade, tinha que ser impossível, mas a idade me fez entender que não... se for impossível, já não pode ser de verdade. O amor é uma possibilidade óbvia, que pisca com setas luminosas, e a gente só não enxerga quando não quer. Quando tá muito difícil, tem muitas voltas, muitas complicações, é porque algo tá errado, torto. É o primeiro indício de que a massa já veio estragada e o bolo vai desandar mais cedo ou mais tarde. Por isso eu quero uma coisa simples, com cheirinho de primavera.

Eu já andei com pressa, sabe? Já corri demais. Só que hoje eu quero calma. Quero caminhada na beira do mar, piquenique no parque, assistir um filme com você e acabar dormindo no sofá da sala. Quero surpresas, mas nada de carro de som ou declarações quilométricas de amor, não precisa fechar avenida, nem fazer aquelas coisas que viram vídeo pra internet, eu quero que seja só entre nós, quero receber um buquê de flores numa segunda-feira chuvosa, uma ligação sua só pra dizer que tava com saudade da minha voz, uma mensagem no meio da noite dizendo que sonhou comigo.

Não precisa dizer que me ama também, a essa altura eu nem sei se acreditaria nisso. Perdi a fé nessas amores instantâneos, efêmeros, que acabam antes do meu miojo de tomate ficar pronto. Eu não preciso que você me jure amor eterno, só quero que cê me mostre nos detalhes o que sente, porque é nele que o amor mora. Pergunta como foi a minha semana, me manda uma mensagem de bom dia mesmo achando isso meio blasé, me dá um abraço mais demorado antes de ir embora só pra levar meu cheiro junto. Não precisa fazer nada gigantesco, eu quero gestos pequenos.

Não to te pedindo pra não tirar os meus pés do chão, só to te dizendo que dessa vez eu quero voar aos poucos. Quero construir com você uma história sólida e pra isso é preciso ter paciência. Eu já estive num campo de guerra, numa disputa patética por corações, agora eu quero paz. Por favor, aceita ser a minha.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.