Nova Perspectiva

24 de dezembro de 2016

Neste natal não tem pedidos, tem gratidão

Nem celular novo, nem sacolas de roupa, nem sapato, nem jóias ou bijuterias, neste natal não tem nada que eu espere ou queira do papai noel, porque, pela primeira vez, é a minha vez de dar alguma coisa, não a ele, mas ao nosso Pai de verdade. Foi um ano muito difícil, é assim que dois mil e dezesseis entra pra história. Poucos foram os que conseguiram passar ilesos por ele, sem nenhum arranhão ou cicatriz profunda, de um jeito meio inexplicável parece que um terremoto passou e ninguém foi capaz de prever isso antes que ele causasse tantos estragos, não tinha sequer um ser humano que estava preparado pra tudo o que aconteceu. 


Sabe quando o peso fica quase insustentável? E a coluna até enverga um pouco? Ai a gente tem vontade de deitar na cama, fechar os olhos e não abrir tão cedo? Foi assim grande parte do ano. Pra mim, talvez pros meus vizinhos, talvez pra você, talvez pros seus pais. Foi assim pra muita gente. Era aquele desejo quase unanime de que fosse só um pesadelo, desses que assustam de tão reais que são, e que no dia seguinte iriamos acordar e tudo estaria no lugar de novo, mas a gente levantava e o caos ainda estava aqui.  A bagunça continuava, insistente, e não importava quantas vezes a gente colocasse o lixo pra fora, ele voltava, ainda pior. Foram doze meses de muitos pedidos. Aqueles que a gente implora de forma muda antes de dormir com lágrimas nos olhos. E nenhum deles foi algo de material. 

Teve gente pedindo pro orçamento fechar no fim do mês. Outros, pra não faltar dinheiro pro arroz e pro feijão. Eu sei, eu vi. Teve quem pedisse calma, só isso, pra conseguir encarar um dia de cada vez. Teve gente pedindo por emprego...e bota gente nisso! Teve gente implorando pra não perder o emprego. E teve gente perdendo. Falando em perdas, a gente perdeu muita coisa esse ano. Cada um em um sentido. Tiveram perdas maiores e tiveram perdas menores, mas cada uma, independente de seu tamanho, pesou pra quem teve de carregá-la nos ombros. Alguns perderam a casa, outros tiveram de ficar sem um amor. Relacionamentos de décadas, escorreram pelo ralo, como se não fossem nada e a gente assistiu a tudo isso. A maioria de nós ficou sem chão. E é complicado se manter em pé quando isso acontece. Por isso, muita gente caiu. Desmoronou. Despencou. Eu mesma, ao longo desses quase 365 dias, fui parar no chão um bocado de vezes. Em algumas delas, achei que não ia ser capaz de levantar, mas uma força, que não era minha, me reergueu em todos os momentos que eu achei que não dava mais.

Eu vi muita gente desistindo no meio do caminho. Jogando a toalha, se entregando. Alguns não aguentaram o fardo, se revoltaram, embruteceram, cansaram. Muitos se perguntaram "o que foi que eu fiz de errado? Por que comigo?" e nada parecia ser suficiente pra explicar tanta pedra no meio da caminhada. Algumas vezes, confesso, eu também indaguei onde é que Ele tava, porque não era possível que Ele não estivesse vendo essa destruição toda. A gente sempre acha que quando as coisas ficam difíceis é porque estamos sendo castigados, mas nem sempre é isso, e compreender que algumas dificuldades surgem no nosso caminho só pra que a gente possa aprender com elas, é saber se entregar completamente pra Deus e confiar que Ele sabe o que está fazendo. Foi um ano horrível, mas quando eu olho pra traz e vejo todos esses redemoinhos que nos tiraram do eixo, eu fico grata e é por isso que eu quero agradecer, é por isso que eu não tenho nada pra pedir, Ele já me dei tudo. 

Eu fico grata porque eu consigo enxergar que Ele tava comigo, em todos os segundos, em todas as minha crises de choro, nos momentos de ansiedade, quando eu achei que nada mais ia dar certo. Ele tava comigo mesmo quando eu mesma já não queria mais estar. O peso foi grande sim, a minha coluna, coitada, dói até agora e talvez eu precise de muita mais do que relaxante muscular pra ela passar, mas eu não estive sozinha. Nunca. Ele esteve aqui e continua ao meu lado. Eu não sabia que ia aguentar tantos altos e baixos, que seria capaz de enfrentar tanta curva, nem que eu era tão forte. Mas Ele nunca duvidou de mim. Nem por um segundo. Ele sabe o quanto a gente consegue carregar. O quanto somos capazes. O quanto podemos. E se Ele nos dá um fardo, a gente carrega, não questiona, não desiste. Eu carreguei o meu e talvez ainda existam outros preu carregar. Talvez o seu ainda esteja pesado e você sem força, mas continua, insiste, persiste, segue em frente. Ele tá com você, do mesmo jeito que esteve comigo.

Eu não fiz nada de errado. Nem você! Dois mil e dezesseis não foi um castigo. Eu só precisava passar por alguns desafios, só tinha de aprender levando algumas porradas. Mas tá tudo bem. Eu cai, me levantei, cai, me levantei, cai, me levantei e agora to de pé, de novo, e se eu cair vou continuar levantando, não importa quantos tombos sejam. E se me faltar força, Ele me ajuda. Ele me dá. E eu agradeço. Seja na dor, seja na vitória. Agradeço de coração porque ele faz o melhor por nós, mesmo quando o melhor não nos agrada. Se hoje tá ruim, amanhã melhora, e assim o jogo segue. Então, neste natal, não tem nada que eu queira. Já ganhei muita coisa esse ano. Sério. Ganhei garra, ganhei gente lutando por mim, ganhei boas memórias, ganhei ensinamento e ganhei muita, muita, muita Fé. Obrigada Deus. Obrigada meu Pai. Obrigada por me acolher como tua filha e cuidar de mim até nos dias em que eu fui ingrata e não quis. Neste natal, meu maior presente foi ter a certeza de que o senhor sempre vai estar aqui.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.