nome blog

29 de dezembro de 2016

Meu adeus à 2016


Vou ser breve, prometo, mesmo você tendo sido tão longo pra gente. Aliás, tem certeza que foram só doze meses? Porque, de vez em quando, eu tenha a sensação de que vivi uma vida inteira nos últimos 365 dias, só não me decidi ainda se isso é bom ou ruim.

Senti raiva de você, confesso. Passei grande parte dessas 52 semanas desejando que cê chegasse ao fim o mais rápido possível. E tenho certeza as pessoas também. Era um desejo meio compartilhado com tudo mundo, porque ninguém suportava mais continuar te encarando de frente. Na boca da maioria, cê tava sempre sendo criticado, apontado como vilão. Sabe aquele anfitrião indesejado? Pois é. Desculpa se eu pareço um pouco ríspida falando desse jeito, mas é que você não deu folga, né!? Foi uma cacetada atrás da outra.
Vários pontapés seguidos bem no meio do nosso estômago. E é difícil se manter em pé quando isso acontece. Foi difícil encontrar uma razão pra não desistir, não jogar a toalha. Tinha dias que a gente simplesmente não queria levantar da cama e ficava escorando nos lugares pra ver se conseguia carregar o próprio peso sem desabar. Você tem noção do que é isso?

Algumas noites eu dormi chorando. De medo. De ódio. De mágoa. De dor. E no dia seguinte acordava decidida a dar um jeito em tudo. Mas não dava. Não dava porque, de alguma forma, o universo não deixava. E depois ficava ainda mais complicado de continuar. "Pra que ter força se tudo vai continuar igual?" questionávamos, é que quando a gente perde o eixo, procurar uma razão pra persistir vira um grande desafio. E fomos desafiados o tempo todo. Pelos outros, pela natureza, pela vida. Foram vários testes consecutivos. Várias provações. Uma quantidade gigante de pedras no meio do caminho. Não deu pra não tropeçar em algumas. Vi muita gente cair. Eu desabei sei lá quantas vezes nesses doze meses. Fui parar com a cara no chão. Direto. Chegou uma hora que eu já nem tentava mais me segurar. Só caia. Tá pra nascer quem conseguiu sair sem nenhuma cicatriz. Eu mesma to com várias.

Até nos instantes em que eu achava que as coisas iam melhorar, o mundo desabafa de novo. E de novo. E de novo. E de novo. Cê me rendeu uma dor nas costas que vai levar um bom tempo pra passar, tem muita gente andando envergado depois de carregar tanto peso, algumas marcas que você deixou são profundas, ainda não cicatrizaram e ardem naquelas madrugadas em que a gente acorda com a insônia dando boa noite. Tem muita gente que ainda não consegue dormir direito. Revira na cama atrás do sono que não vem. É que foram tantas noites em claro pensando no orçamento que não fechava, nos problemas que assombravam a nossa cabeça, na crise política, no desemprego, nas pessoas que foram embora, no caos, nas guerras e nos conflitos, que, agora, a ideia de deitar a cabeça no travesseiro e fechar os olhos numa boa, parece até piada. E de mau gosto. Não que tudo esteja certo. Seus resquícios vão durar por muito tempo. Vão se arrastar pelos próximos anos. E a gente ainda vai falar muito de 2016. 

Eu sei que to parecendo uma adolescente rebelde. Revoltada. Amargurada. E, admito, eu estive assim por um tempo. Um bom tempo. Mas, no meio de todo o caos, dessa competição de crises, do medo do amanhã, do cansaço físico e emocional, hoje eu consigo enxergar que você não é o lobo mau. Você foi ruim, sim. Eu queria te apagar do calendário. Pular direto pra 2017. Só que cê foi necessário. Quando eu digo que vivi uma vida só nesse ano, to dizendo, também, que eu amadureci uma vida inteira desde janeiro. Eu cresci tanto, mas tanto... Foi meio a força, verdade mas e dai? Eu me tornei alguém melhor. Mais forte. Mais crente. Porque ninguém passa por tudo o que passamos e continua intacto. Eu achei que teu saldo era negativo, que eu ia querer te esquecer, só que eu tava errada. Não quero extinguir 2016 da minha vida. Pelo contrário! Porque a gente aprendeu muito com todas as suas curvas tortas e essas tempestades que alagaram os nossos caminhos.

Duvidamos do quanto conseguiríamos aguentar. Mas ai a vida foi cobrando mais. E mais. E mais. E demos tudo aquilo que podíamos. Mas ela não tava satisfeita. E ai demos mais. Despencamos em alguns momentos. Sofremos. Choramos. Tiveram dias de sol. Mas a maioria foi nublado. O inverno durou o ano todo, sabe? Só que agora tá claro. Quente. Verão. A tal da luz no fim do túnel chegou, e, apesar da vontade de correr até ela ser grande, não dá pra fazer isso antes de olhar pra trás e refletir um pouco. De imediato, o saldo parece mesmo negativo, como se tivéssemos saindo com a conta no vermelho, mas quando analisamos um pouco mais, da pra perceber que não. Foi difícil. Cansativo. Pesado. Porém, apesar de tudo isso, também foi cheio de ensinamentos, cheio de superação. Nós nos aproximamos. Nos unimos. No meio de tanta violência, conhecemos a empatia. Lutamos por causas que nem sempre eram as nossas. Trouxemos à tona questões importantes. Gritamos. Abraçamos. E amamos. No meio do caos. Do medo. Da crise. Nós amamos.  

Dois mil e dezesseis foi cheio de dificuldades, cheio de notícias ruins, de altos e baixos, de dias sombrios, no breu, mas foi, também, o ano em que a gente descobriu que quando damos as mãos, ficamos bem mais fortes. E, se quer saber, olhar pra trás me faz perceber que o saldo tá verdinho. Positivo. E é alto. Quem conseguiu chegar até aqui de cabeça erguida, dificilmente vai desmoronar por qualquer chuvinha. Estamos preparados pra quase tudo. E é graças a você.

Agora já podemos te dar adeus, com carinho e, talvez, até um pouco de saudade.

Que venha 2017.

0 comente aqui:

Postar um comentário

"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.