Nova Perspectiva

3 de dezembro de 2016

Eu descobri que você é pouco demais pra mim

Não quero mais você. Não, eu não to dizendo isso no calor do momento. Também não vou me arrepender amanhã assim que eu acordar de ter te expulsado de mim. Sei muito bem o que estou fazendo agora, é exatamente o que eu já devia ter feito há muito tempo e não tive coragem porque eu achava que não podia viver longe de você, só que agora eu vejo que a vida fica bem mais leve quando cê tá longe.

Pode poupar nós dois do seu papinho mole e ir recolhendo suas desculpas esfarrapadas que estão espalhadas pelo chão de casa. Coloca numa mochila esses seus discos velhos que eu detesto, a sua escova de dente que já até tá na hora de trocar, aquele seu moletom azul marinho todo desbotado e a sua mania de achar que eu sou idiota e vou sempre acreditar nas suas explicações falsas. Leva tudo isso embora com você, que eu não quero mais nada que me lembre da gente. Cansei da sua bagunça, da sua desordem, do seu caos. Cansei de te ver entrar e sair quando bem entendia e da confusão que isso me causava, cansei de aceitar essa situação de boca fechada e achar que isso é normal. Não é! E eu não sou obrigada a aceitar.

Sabe as nossas promessas? Eu embrulhei cada pedacinho que você quebrou num jornal e joguei fora. Como aquela em que cê dizia que a gente ia ser muito feliz junto... parece até piada repetir isso agora, depois de tudo. Cê tem ideia do quanto eu sofri na sua mão? Do quanto eu me diminui e me senti pequena por sua causa? Eu achava que não era o bastante pra você, como se a culpa da sua falta de caráter pudesse mesmo ser minha, da minha incapacidade de te deixar apaixonado. Patético né? Só não mais que o seu showzinho tentando me convencer que tá arrependido. Eu conheço esse seu número, sei de cor e salteado o seu teatro e ele já perdeu a graça.

Eu me enganei sim, deixei você me iludir enquanto deu. Fingi acreditar nas suas histórias, me forcei a fechar os olhos pras coisas que você fazia, passei por cima do meu amor-próprio pra poder continuar ao seu lado, mas por quê? Pra quê? Eu fui me diminuindo pra caber ai dentro, porque você é pequeno, minúsculo, e eu sou gigante. Era óbvio que a nossa conta nunca ia fechar. Eu sempre tive muito mais a dar do que você a me oferecer. Eu sempre fui muito mais e você muito menos, pena que eu perdi tanto tempo até conseguir enxergar isso, pena que eu deixei tanta gente melhor passar enquanto eu tentava te prender. Mas nunca é tarde pra assumir um erro, não é?

Cê é pouco demais pra mim, é pouco demais pro meu desgaste, pra minha insônia, pra minha gastrite. É pouco demais pra me fazer mudar de ideia, saca? Então não adianta tentar me convencer a te dar mais uma chance, nem falar que agora vai ser diferente e que vai fazer de tudo pra me reconquistar e aquele velho blábláblá de sempre. Não quero flores, não quero mensagens de amor e nem caixa de bombom, só quero que cê saia daqui, que você caia fora da minha vida e não volte mais, porque eu to indo e não quero mais você comigo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.