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15 de dezembro de 2016

Amor é sobre quem decide ficar

Sábado eu e meu noivo fomos pra uma festa. Depois de alguns minutos sentados conversando, ele se levantou e foi pra pistar dançar. Antes de continuar a historia preciso contar um pouco sobre como é o meu noivo, nós somos muitos parecidos em muitas coisas, mas acredite, somos o oposto um do outro. Quem vai pra pista de dança e fica lá descendo até o chão, rindo, pulando, fazendo umas coreografias bem esquisitas sou eu, ele não, ele fica sentado me olhando, beliscando alguns petiscos, hora ou outra vai até lá e me dá um beijo, ensaia uns passinhos comigo e volta para sua amiga-cadeira. Mas porque estou contanto isso afinal? Porque no sábado foi diferente, no sábado ele saiu da cadeira e dançou.

Durante muito tempo eu fiquei incomodada e magoada com o fato dele não dançar comigo, poxa, eu queria alguém para me acompanhar, para me rodopiar no ar, e fazer um final estilo dirty dancing, eu nem sei o porquê eu queria aquilo, mas eu queria, eu não aceitava a ideia de que ele era diferente de mim e talvez não gostasse de dançar. Eu demorei um tempo para entender que nós, apesar de nos amarmos e querermos viver uma vida juntos, somos pessoas diferentes, pensamos coisas diferentes, gostamos de coisas de diferentes, e confesso que durante esse tempo, isso me magoava muito. Eu passei a entender que ele gostava de ficar na cadeira, e eu gostava de dançar, e que com toda certeza ele arriscaria uns passos de dança comigo hora ou outra. 

Eu amava sair todos os fins de semana, mas ele nem tanto, ele preferia alugar um filme e ver embaixo das cobertas, naqueles dias mais geladinhos que cai uma chuva danada lá fora. Eu pensava que aquilo jamais iria dar certo, como eu poderia continuar namorando alguém que conseguia ficar parado enquanto tocava minha musica preferida, que preferia ver um filme antigo, enquanto havia inaugurado um barzinho novo na cidade, que ficava satisfeito com um fim de semana que se resumisse a pizza e maratonas de séries. É que eu não entendia que amar não torna você a pessoa que você ama você continua sendo uma pessoa que ama outra pessoa, e gosta de estar com essa pessoa, mas não significa deixar de ser você, de gostar do que você já gostava antes de conhecê-la, confuso né?

Eu parei de insistir para ele vir para pista dançar comigo, eu sabia que ele ficava feliz em me ver dançando, eu sabia que os passos que ele arriscava eram um esforço grande para alguém tão tímido como ele, eu sabia que ele preferia pizza e séries ao invés da agitação de um barzinho, mas ele ia mesmo assim, ele dançava um pouquinho mesmo assim, talvez fosse para me agradar, ou talvez porque ele também quisesse, a questão é que com o tempo eu parei de tentar tornar ele algo que eu queria que ele fosse eu me apaixonei por um cara tímido, de voz baixinha, risonho, introvertido, cordial, e de repente queria que ele se tornasse o que eu era, mas caramba, ele é o meu oposto. Eu parei de querer que ele fosse algo que não era o que ele queria ser. 

Veja bem, não estou dizendo para você aceitar qualquer coisa, ficar em qualquer relacionamento, ao contrario, estou dizendo que às vezes queremos forçar as situações, mudar as pessoas, e nós não temos esse poder em mãos, não se iluda achando que vai mudar alguém, nenhum amor do mundo vai transformar uma pessoa em algo que ela não é. Portanto, se você sente que essa pessoa não é aquela que você escolhe para seguir o caminho contigo, seja lá quais forem os motivos, não se desgaste tentando a todo custo muda-la ou força-la a seguir. Só entenda que o amor não é sobre quem vai, é sobre quem fica. É sobre quem entende que é possível amar mesmo sentado na cadeira enquanto sua namorada dança descalça, sobre quem abre mão de ir para uma festa cheia de gente esquisita para ficar em casa vendo um filme com um balde de pipoca e ver que assim também é bom. 

Amor é sobre quem decide ficar, mesmo com as diferenças, mesmo uma vaga de emprego em outro país, mesmo com outras pessoas interessantes por ai, amor é sobre quem escolhe ficar. Eu sempre digo que ninguém vem pronto para nós, e nós estamos acostumados a ter tudo em mãos, pratico e rápido, essa geração que não consegue esperar mais que dez minutos para receber o pedido no drive thru não consegue aceitar que o amor precisa ser paciente. Eu não o chamei pra dançar, eu não fiquei batendo toda vez na mesma tecla, eu só continuei dançando, eu só continuei sendo eu mesma, ele me ama dessa forma e eu o amo da forma que ele é. Nós vivemos bem assim. E se por acaso passarmos a não viver mais, saberemos a hora de parar e seguir rotas diferentes. 

Quando eu parei de achar que dançar sozinha enquanto ele preferia ficar quietinho no lugar dele, resultaria num termino de namoro, quando eu entendi que o meu amor por ele era maior que uma bobagem, eu percebi que ele também queria dançar às vezes, só não estava pronto ainda. O amor é paciente sim, ele também é bondoso, e se não houver amor de nada vale. Mas se houver amor, de ambas as partes, deixe que ele desfoque as diferenças bobas que você acredita ser um monstro enorme, vai por mim, na maioria das vezes esse monstro só existe na nossa cabeça. Se quiser ir, deixe que vá, o amor não é sobre quem vai embora, o amor é sobre quem decide ficar. 

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.