Nova Perspectiva

2 de novembro de 2016

Todo aquele amor acabou


Eu sentia um pouco de medo de te ver de novo, sabia que em algum momento a gente ia acabar se cruzando, mas eu evitava ao máximo ir aos lugares que você ia, andar com as pessoas que você andava, pegar o mesmo ônibus, fazer os mesmos caminhos. Eu já tava forte, só que e se eu me derretesse toda quando os nossos olhos cruzassem um com o outro? E se você desse aquele seu sorriso que forma aquelas covinhas nas suas bochechas e as minhas pernas voltassem a bambear? E se você ainda me fizesse rir sem o menor esforço e tivesse tão lindo quanto no dia em que a gente se conheceu? Por mais que eu garantisse que tinha seguido em frente, não queria queria correr o risco de te ver e voltar atrás de tudo que eu já tinha andado.

Só que não dava pra fugir pra sempre. Mesmo que eu continuasse me escondendo, ainda assim, uma hora a gente ia se esbarar, afinal, moramos na mesma cidade, conhecemos as mesmas pessoas e curtimos as mesmas coisas. Eu não queria te encontrar, mas quando eu fui surpreendida com você naquela festa beijando o pescoço de uma menina desconhecida e eu continuei viva, entendi que todo aquele amor já tinha acabado. Quer dizer, no começo me incomodou um pouco, confesso, é que foi estranho ter ver abraçar outra pessoa do mesmo jeito que você me abraçava, mas eu não chorei escondida no banheiro ou voltei pra casa sem me despedir de ninguém, nem sofri em silêncio e te quis de volta na minha vida. Eu só virei o rosto e voltei pra onde estavam os meus amigos.

Mais tarde você veio me dar um oi, a gente conversou um pouco, cê me contou da faculdade e de que finalmente saiu da casa dos seus pais, eu falei do meu novo emprego e do gatinho que eu ganhei uns meses atrás. A gente não brigou, não falou do passado e nem nos comportamos feito dois desconhecidos. Lá, nós éramos só dois velhos amigos que faziam um tempo que não se viam. Seus olhos olharam dentro dos meus, você sorriu e sua bochecha fez covinha, cê continua me fazendo rir sem precisar de muito e tá ainda mais lindo do que antes, mas as minhas pernas continuaram firmes no chão, meu coração não acelerou, eu não gaguejei e nem quis parar o tempo pra ficar um pouco mais ao seu lado. Você continua o mesmo. Eu não.

Cê ainda é aquele cara galanteador que me conquistou no auge da minha adolescência. Continua todo sedutor, com aquele jeito de homem meio cafajeste, sabe? Mas não me seduz mais. Você ainda fala com os olhos, brinca com todo mundo e faz aqueles caras populares dos filmes americanos parecem sem graça. Ainda é aquele menino capaz de convencer o mundo a fazer as suas vontades, mas eu não sou mais seu mundo, nem faço parte dele. Você ainda é o cara que me fez sonhar acordada, mas eu não sou mais aquela garota e todo medo que eu tava de te reencontrar, foi embora. Eu gostei de te ver cara, de verdade, e gostei de saber que as coisas estão boas por ai, porque por aqui elas também estão.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.