Nova Perspectiva

9 de novembro de 2016

Sobre porres e direções da vida

Esse é um daqueles dias em que se levanta com ressaca, mas a dor maior é na consciência. Tudo porque virei a noite na sua sombra, regada de cigarros e whisky barato, consequentemente eu quem acordei sem valor. Por um motivo daqueles que me faz fraca, que da cabeça não sai, o maior dos clichés: foi por amor.

Gostaria de poder te culpar por não me corresponder, mas desde cedo se aprende: não se força ninguém a te amar. Solução triunfal e frustrada, quando na noite passada tirei-te do pedestal e paguei-me uns drinks ao invés de oferecer. Foi pelo bem da minha sanidade, afastei-me para fazer-te perceber. Porque no nosso caso que está mais para descaso, a lei da procura e da oferta é inexistente, sem proceder.

Eu, cética desorientada, fui embora do bar enlaçada em meio a risadas embriagadas, querendo era um beijo teu receber. Enfim, ao menos a diferença me concedia cortejos e endereço superior. Não digo que isso seja dar a volta por cima, mas é garantido, elava-se a autoestima e de quebra meu bom humor. Agora, oito em ponto da manhã, número equivalente a chamadas perdidas em que deixei o telefone tocar, seu nome seguido de incontáveis mensagens, todas que fiz e faço questão de apagar. Essa cena pífia, cenário atual da minha vida: sapatos perdidos, roupas pelo chão, coração desolado, tentando me refugiar. Desejando-te mentalmente um belo foda-se, amargamente e talvez até injustamente, covarde, incapaz de conseguir pronunciar. Mas não sou dessas poucas infelizes que se deixa perder para perceber, se te faço falta agora, não interessa nem motivo, trate de esquecer.

Passaram-se dias: sigo solitária. Divergente, não me restam nem as pequenas doses, nem resquício de embriaguez. Sobrevivo sob tortura da rotina e marasmo do dia pós dia, e com melancolia descrevo meus passos. Em mim habitam o asco, a repulsa e a frieza, e se um dia existiu gentileza, ela se esvaiu em cada traço. Sustentada pelo sentimento alheio, cada manhã acordo em um abraço, tenho afeto, ganho um carinho, sem você pelo caminho, evito o cansaço.

Sigo de coração vazio, esquivando-me aqui dentro de amores e seus estilhaços.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.