Nova Perspectiva

8 de novembro de 2016

Sobre o fim do nosso amor


Boaventura, cruzamento com 9 de janeiro, 07h 45m. Acelero os passos na tentativa de compensar o atraso de mais uma manhã – tem se tornado frequente desde que o teu despertador parou de me lembrar que você acordava antes das 06h. Enquanto os carros disputam espaço na avenida e o som das buzinas ecoam pelo ar, eu te vejo. Talvez mais forte e um pouco mais sério, mas é você.

Ainda sou capaz de sentir o seu cheiro de café quentinho em fim de tarde e, por algum motivo, eu sei que você também sabe que eu estou ali. Ainda sou capaz de ouvir cada batida desalinhada do meu coração ao te ter por perto. Mas já não é o que parece, já não é amor. Quem sabe apego, saudade, ou algo do gênero. Ainda sou capaz de te ouvir dizendo que me amava, mesmo que hoje isso nem faça sentido. O nosso amor se perdeu, moreno, e eu nem sei dizer ao certo onde.

Às vezes me pergunto se você ainda pensa naquela viagem que desistimos de fazer por causa do tempo ou da falta dele, ou naquele piquenique que você não quis ir porque era sagrado acordar tarde no fim de semana, ou naquele jantar com os amigos que não fomos já que brigamos na véspera e passamos uma semana sem nos falar, ou naquela música que não dançamos porque os sapatos haviam machucado os meus pés, ou simplesmente em nós.

Eu só queria ter te dito que te amei e amei tanto, tanto quanto senti a tua falta e das tuas roupas espalhadas pelo quarto e até da toalha molhada sobre a cama. Entre meias palavras e milhares de outras tantas não ditas, você se foi. O silêncio dos nossos lábios denunciavam o que a gente nunca quis escutar: não havia mais amor. Porque quando é amor a gente grita aos quatro cantos que ama e quer perto, quando é amor até os olhos entregam.

Talvez se eu fosse mais paciente (Era o que você dizia, lembra?) e talvez se você fosse mais presente, talvez se eu fosse menos ciumenta e um pouco mais compreensiva, talvez se as minhas noites de solidão tivessem sido interrompidas pelo calor dos teu abraço... talvez tivéssemos dado certo e teria sido pra sempre. Mas não foi. Ah, moreno, como em tantas outras histórias, o nosso amor chegou ao fim.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.