Nova Perspectiva

9 de novembro de 2016

Não é impossível se reencontrar depois das cicatrizes de um amor que já foi embora


As cicatrizes daquele amor me deixaram com vergonha de colocar a cara para fora de casa. A vergonha de não ter dado conta, de ter sido um fracasso e de não saber lidar com a dor tomaram conta de mim e eu só enxergava um mundo possível com a presença dele. E, cara, como eu estava errada! Ninguém é tão importante assim a ponto de valer a pena perder a lucidez por essa pessoa. Ninguém pode ser mais importante que nós mesmos na nossa vida. E sabe o que eu fui fazer além de ver vídeos de gatinhos no youtube pra relaxar? Eu fui atrás da mulher linda e maravilhosa que eu sempre fui - tinha me esquecido completamente do meu eu que eu tanto gostava.

Se eu pudesse voltar no tempo e dizer para aquela menina insegura "eu tô aqui", eu faria isso. Mas creio que de nada adiantaria, pois a cegueira emocional era absurda. Assisti-lo, esperá-lo, agradá-lo e chorar por ele era a minha rotina e nada ia me fazer ver outra possibilidade de vida. Simplesmente comecei a correr atrás de alguém e não de algo para a minha vida. E ele correu com o meu coração e era como se minha alma fosse tirada à força. Mas meu coração estava batendo firme e forte dentro do meu peito e minha alma, por algum motivo, ficou adormecida procurando um momento melhor para dar as caras.

Desalmada, fui em festas estranhas, vi gente esquisita. Nada me completava, me deixava à vontade e eu não conseguia me identificar com nada e nem ninguém. Nada valia a pena, eu só queria aquela figura que era apenas platônica, já que não me queria e não era como eu idealizei. Parecia que aquele vazio nunca mais seria preenchido. Mas foi, e foi apenas questão de tempo para as coisas se acalmarem. Demorou pra caramba mas estou de volta e sinto muito por mim, por ter traído a mim mesma em busca de outra pessoa. E quem ficou com os prejuízos? Eu, euzinha. Não saber lidar com os prejuízos emocionais pode levar a perder a sanidade, mesmo que seja momentaneamente.

E eu gosto de mim. Posso ter me odiado por muito tempo, mas era a conhecida cegueira emocional. Não sei se estava pronta pra me ver despida de qualquer rancor, mas fiquei tão leve e tão linda após jogar pela janela as roupas dele, os meus medos, meu ódio e a vontade dele. Eu sou minha (só minha, e não de quem quiser). Só serei eu mesma quando entender que não preciso de outra pessoa para validar isso. Mas esse é o tipo de coisa que aprendemos aos poucos, apanhando da vida, tropeçando e caindo, se sentindo uma merda. Quando aprendemos e percebemos que estamos sozinhas no mundo, a ficha cai, dá vontade de sumir, socar todas as paredes. Mas essa é a verdade, somos o que nos resta, no fim das contas.

É maravilhoso se redescobrir após se perder. Até o reflexo no espelho é uma novidade. Até o que dizemos nos surpreende. E aí é que damos uma chance para o amor próprio dialogar conosco. Ele vai dar aulas de bom gosto, de como se amar, de canto no chuveiro, de sorrisos sinceros. E tudo vai ficando mais leve. Até os piores momentos conseguem ser diferentes quando o amor próprio bate na porta e recebemos como inquilino, não uma visita breve nem uma hospedagem rápida à lá airbnb.

Se você se perdeu no caminho por um amor, saiba que isso é mais comum do que imaginamos (uns escondem muito bem, outros preferem não falar e outros ficam nitidamente abatidos). Não é preciso ter vergonha, é necessário ter atitude para que as coisas mudem de figura e você consiga finalmente se libertar de uma dor que existe por conta de algo que não existe mais.

E quando você se reencontrar, pode ter certeza que terá ombro amigo para recorrer, vida longa e próspera a ser vivida e vai se sentir melhor do que nunca - afinal, sair da merda é muito bom. E você vai sair dessa.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.