Nova Perspectiva

1 de novembro de 2016

Me assuma, ou corra!

Eu não sabia o que éramos. Aliás, até hoje não sei. Na verdade, não sabia exatamente o que ele queria e nem o que ele sentia. Se era amor ou só aquela vontade passageira. Eu só sabia de uma coisa: Eu gostava. É, por incrível que pareça, eu gostava. E gostava tanto a ponto de parar o mundo para poder ver ele. De desmarcar compromissos para estar com ele. De deixar a amiga ir pra balada sozinha e ir pra casa dele. De mentir para os pais, dizendo que iria na casa da amiga, para encontrar ele na primeira esquina.

Quando eu perguntava sobre nós, ele rapidamente mudava de assunto. Quando eu queria um dia de carinho, ele queria sacanagem. Quando eu queria pegar um cinema, ele queria ir pra balada. Quando eu queria rosas, ele me dava uma nova lingerie. Quando eu queria abraços, ele me passava a mão. Eu odiava a falta de carinho dele, mas adorava aquela safadeza e ousadia junto daquele olhar sexy de galanteador nato que só ele tinha.

Ele me tinha por completa, mas nunca quis me assumir. Eu brigava e vivia discutindo por falta de sua atenção, mas ele não tava nem aí e resmungava dizendo que ia ser mais presente. Chegava o fim de semana, ele sumia. Quando me procurava, era no fim da noite. Segunda ou terça, me aparecia com aquela cara de pau dizendo: ''Oi-amor-tudo-bem-saudades-quero-te-ver'', como se nada tivesse acontecido. Mas o que eu iria fazer sendo que era isso tudo que eu mais queria? Como dispensar aquilo que a gente tanto quer? Como dar tchau querendo um abraço?

Lutei muito para me aprofundar e tentar criar um novo relacionamento que fosse saudável para nós. Me envolvi, mesmo com todo mundo dizendo que não seria um bom caminho para mim. Me entreguei de corpo e alma, mesmo dizendo para mim mesma que desta vez eu não iria me apaixonar. Doce engano. Nunca consegui controlar o coração. Tem coisas que me amolecem duma forma tão fácil, que não há saída ou escapatória, quando vou ver, buuuummm, é tarde demais.

Bati de frente e evitei pensar que poderia dar errado de novo. Encarei tudo isso, para tentar, dessa vez, dar certo. Cuidei, preservei e valorizei. Eu, quando gosto, faço essas coisas. Nada me impede e faz com que eu mude meus caminhos quando eu tenho um só pensamento que é de ser feliz e de fazer feliz. Foi aí que, num dia qualquer, peguei o amor que tanto queria, guardei numa caixa pequena, subi na cadeira da cozinha, coloquei bem no alto daquela estante antiga que já estava mofada de tão velha que era. E mesmo assim, quando eu menos esperava, o amor despencou. Caiu. Pufff. Lá de cima.

Sentia que ele não tava mais a fim e só me procurara para matar sua sede de amor. Sentia que ele não queria mais nada, há não ser, me por na sua cama. Sentia que estava sendo usada e servindo de passa-tempo. Sentia que, no fundo, ele não passava de um canalha, que me enrolou esse tempo só por algumas noites de sexo. Sentia que, depois de ter esperado tanto, cuidado, preservado todo este tempo, fui uma tremenda otária por dispensar tantos caras por aí para, enfim, estar ao lado dele.

Sabe quando nasce a raiva? Quando a gente pega o nojo? Sabe aquele ódio-rancor-receio-saudade-maldita que fica quando um amor que a gente tanto queria, chega ao fim? Vocês sabem do que eu tô falando? O fim. O fim, pô. Ele aparece do nada sem nos avisar. Chega e pummm, derruba geral. Não é? O pior fim é aquele que chega sem avisar. O pior fim é aquele que a gente pensa que nunca vai acontecer e acontece. O pior fim é o inesperado. E tem sido assim. O amor, quando acaba desta forma, parece que ele nunca existiu. Daí passa meses, você encontra a pessoa na rua e já logo fala para a amiga: ''Porra, como eu consegui gostar duma merda dessa aí?''

Sabe quando a pessoa não tem coragem de te assumir? Quando a pessoa não sabe o que realmente quer? Quando a pessoa enrola a sua vida? Quando ela esconde todo o seu amor? Quando ela faz você esperar por uma resposta? Quando a pessoa não liga mais? Quando começa a ficar longe? Quando ela começa a conhecer outras pessoas? Quando ficamos parado no tempo esperando por uma resposta simples e importante? Sabe quando a gente se pergunta: Será que ainda vale à pena? E quando bate a saudade e a vontade de estar perto? E quando os amigos perguntam de nós? Se ainda estamos juntos? O que responder? O que falar? Um dia vou criar um novo status de relacionamento chamado: ''Ainda não sei o que somos". E levar para sempre comigo.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.