Nova Perspectiva

1 de novembro de 2016

Eu percebi que você não cabe mais no meu hoje

Ontem eu passei a noite acordada. De novo. Foi a oitava só este mês e ainda estamos no dia treze. Hoje eu to quebrada. Ontem eu te vi postar duas fotos na balada, numa delas você tava cercado de meninas que eu nem conheço. Elas não eram suas amigas, eu sei disso. Uma delas te segurava com certa intimidade, não adianta dizer que não porque eu também já te segurei daquele jeito. Hoje você me enviou uma mensagem, "oi tudo bem? to com saudade, quando a gente vai se ver?". E eu chorei porque a minha única vontade era de te pedir pra vir aqui agora e esquecer que no último ano nós já terminamos e voltamos uma centena de vezes.

Ontem eu quis morrer e nem é exagero, você sabe que eu não sou de aumentar nada do que eu sinto. Hoje eu sobrevivi. Levantei, passei o café, assisti um novo episódio da nossa série favorita e me perguntei porque sou sempre eu que passo as madrugadas em claro vendo você se divertir. Ontem eu acompanhei os seus snaps, você tava tão bêbado e cantava as nossas músicas pra outras garotas e aquilo corroeu todos os meus órgãos até afetar a minha respiração. Hoje cê quis falar de amor, não entendeu porquê eu tava tão seca e disse que eu não tenho o direito de te cobrar de nada, que nós não estamos namorando e eu fico patética quando me comporto assim. E eu chorei mais um pouco porque no fundo você tem razão. Você é solteiro e eu patética.

Ontem eu lembrei das promessas que você me fazia no começo e de como eu acreditava que a gente era pra sempre. Hoje eu não consegui enxergar verdade nas nossas fotos. Meus olhos brilhavam em todas elas, mas os seus... Os seus eram opacos, foscos, ocos. Tava tão na cara, como é que eu nunca me dei conta? Ontem eu desejei estar em outro lugar com outra pessoa, quis não ter me apaixonado por você e não sentir o meu coração se contorcer da forma como se contorcia enquanto você dançava agarradinho com uma menina que cê não deve nem saber o nome. Hoje tudo em mim doía. A cabeça, a alma, o corpo. Ontem eu te escrevi um texto gigante, mas apaguei porque nem todas as palavras do mundo seriam capazes de expressar o que eu sentia. Hoje você desligou o telefone na minha cara porque não dá pra conversar com gente louca.

Ontem eu tentei entender o que é que cê tem de tão especial pra me fazer passar por cima de tudo e ignorar o meu próprio orgulho. Hoje eu percebi que não é nada. Você não tem nada de especial. Nunca teve. É só mais um desses caras comuns que acha que o mundo gira em torno do próprio umbigo. E o meu girava mesmo. Girou por um bom tempo. Acordei e dormi pensando em você por mais dias do que eu poderia contar. Acabei me tornando uma menina insegura, capaz de aceitar qualquer migalha pra não correr o risco de ficar sem nada. Ontem eu refleti sobre quanto tempo eu ainda vou ter que te esperar se dar conta de que sou eu. Hoje eu percebi que não tenho mais tempo pra te esperar.

Ontem eu desmoronei por sua causa e nem foi a primeira vez que eu fiquei assim. Ontem eu desmoronei e hoje você veio cheio de desculpas prometendo que ia me ajudar a reconstruir os meus pedaços. Ontem eu me dei conta de que tava sozinha. Não que eu já não soubesse disso antes. Eu sabia. Mas ontem eu não consegui me enganar, não consegui me convencer de que era só uma fase e logo tudo voltaria ao normal. Nós nunca estivemos normais. Hoje eu dormi a tarde inteira, acordei com o celular lotado de chamadas perdidas e mensagens em todos os lugares possíveis. Ontem sangrou cada poro meu. Hoje você confessou que "eu exagerei, não devia ter te tratado assim, desculpa". Eu te desculpo, mas não te aceito de volta. Ontem eu percebi que você não cabe mais no meu hoje.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.