Nova Perspectiva

20 de novembro de 2016

Eu escolhi ser feliz

​Não foi fácil te colocar pra fora, eu demorei pra conseguir expulsar todos os resquícios de você que havia em mim. Cê tava impregnado no meu corpo como uma chaga que vai matando silenciosamente, eu não via o mal que cê me causava. Por mais louco que seja, no começo eu sequer queria desistir da gente. Ainda que a gente só tenha existido de verdade pra mim. Quando você partiu, eu me apeguei a ideia de que você ia voltar assim que se desse conta de que não conseguia viver sem mim, até porque não era a primeira vez que você ia embora. Eu já tinha ficado sozinha outros dias e aquela situação não durava muito. Mas dessa vez foi diferente. O tempo foi passando e as coisas continuavam iguais.

Aos poucos você foi parando de atender as minhas ligações e de responder as minhas mensagens, eu comecei a ver os seus amigos te marcarem em fotos de festas e em algumas você tava até abraçado em outras garotas. Aquilo me atingia em cheio e eu sangrava por dentro. Todo final de semana cê confirmava uma enxurrada de eventos, os comentários nas suas postagens indicavam o quanto cê tava se divertindo, enquanto isso eu ficava em casa me questionando o que tinha de errado comigo, porque eu sentia como se não tivesse bastado pra fazer você querer ficar. Durante esse tempo, eu me perguntei algumas vezes se era possível morrer de amor, hoje eu sei que não. A gente sobrevive, por pior que seja a dor.

Eu fiquei engasgada com a nossa história e isso me rendeu refluxos constantes de você. Eu te engolia e você voltava, insistente, e eu tentava de novo, mas não adiantava, era como se meu estômago não conseguisse te processar. Meu corpo te rejeitava. Por proteção, eu descobri mais tarde. Você é tóxico. Então eu te expulsei de mim. Foi numa noite, enquanto eu chorava pela milésima vez depois de ter te stalkeado e enviado mais um texto quilométrico que foi visualizado e ignorado, que eu te coloquei pra fora. Tudo em mim estava machucado. Eu lembro que chovia. Tanto na rua, quanto dentro de mim. Coloquei o dedo na garganta e sem pensar duas vezes, vomitei. Joguei minha alma na privada e você foi junto. No outro dia, já não era mais eu.

Quando eu acordei e me olhei no espelho, me dei conta de que a tempestade havia ido embora. Fazia um dia bonito e nem era verão. Eu percebi que não dava preu continuar esperando você descobrir que essas noitadas regadas a álcool e mulheres jamais vão te preencher do jeito que eu te preenchia, não dava preu continuar batendo com a minha cabeça na parede e fingindo que tava tudo bem enquanto eu me desfazia pelos cantos de casa apodrecendo na solidão. Eu precisava escolher entre continuar sofrendo e ser feliz. Eu escolhi a segunda opção e percebi que, no fim de tudo, quem perdeu foi você.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.