Nova Perspectiva

28 de novembro de 2016

Deixa eu sonhar com o nosso futuro

Eu sei que no meio do caminho você pode se envolver com outra pessoa e eu me apaixonar por outro cara e que ainda tá cedo demais pra gente falar sobre essa coisa de casamento e esse papo de morar junto ou sobre ter uma vida a dois, mas quando eu te olho sorrindo pra mim desse jeito eu só consigo desejar que os nossos filhos tenham essas mesmas covinhas que você tem e talvez isso tudo até seja clichê demais, mas o que eu posso fazer se o amor é assim?

Eu sei que você quer que eu vá com mais calma porque o mundo não foi feito de um dia pro outro, só que o que eu posso fazer se encontrei nos teus braços o abrigo que eu não achei em nenhum outro lugar? Não consigo me impedir de sonhar acordada com momentos bobos do dia a dia, como aquele café da manhã na cama que eu sei que cê vai fazer ou poder me aninhar no seu corpo numa segunda-feira enquanto a preguiça do final de semana vai saindo da gente ou as brigas por causa da toalha em cima da cama que você vai insistir em deixar mesmo sabendo que eu detesto.

Eu sei que você acha que é loucura ter tanta pressa, porque é preciso saber andar com um pé atrás do outro e cê gosta de dizer que não adianta eu atropelar tudo de uma vez porque ainda tem muita coisa pra gente viver antes de juntarmos as escovas de dente e eu não quero bancar a desesperada, mas quando você me liga de madrugada só pra dizer que sonhou comigo como é que eu posso não desejar pelo dia em que vamos estar dormindo juntos? Cê entende? Como é que eu posso não ficar imaginando o momento em que vamos ser só nós dois?

Eu sei que você gosta de mergulhar devagar e com toda a proteção necessária, porque já perdeu o ar algumas vezes e tem medo de não conseguir se salvar, mas eu só aprendi a me afundar, não sei ficar na superfície. Então mergulha comigo e se você perder o ar eu faço respiração boca a boca e a gente acaba rindo da cena toda. Se precisar eu soletro até você entender que eu quero você de um jeito e não é um desejo bobo de menina mimada, não é uma vontadezinha passageira que vai embora assim que a rotina começar a ficar pesada. Eu sei, eu sinto.

Quero você com aquele seu mau humor matinal, com a cara amassada de quem dormiu menos do que precisava e as manias esquisitas. Quero você implicando da minha comida orgânica, rindo do meio jeito desajeitado de não conseguir fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Quero ficar emburrada e te ver fazendo palhaçada só pra me ver soltar uma gargalhada. Quero te mandar calar a boca mesmo sabendo que você não vai e depois te beijar porque nem quando eu me esforço consigo ficar brava com você.

Eu sei que você não me leva muito a sério quando eu digo entre um copo e outro que é você o cara certo, porque eu nem te conheço direito pra ter toda essa convicção, mas eu já sei que nem se eu rodar o mundo vou descobrir alguém igual você e não tem como querer algo diferente desde que te conheci. Não dá pra esconder que eu não to pensando no futuro, que eu não quero poder beber uma garrafa de vinho com você e dançar ao som de uma música brega sem ter ninguém pra atrapalhar a gente. Porque eu quero e não vou fingir que não.

Eu não tenho medo de sonhar acordada e cair de cara no chão quando eu sei que vai valer o tombo, e você vale. Então, e se em vez de eu deixar de fantasiar tanto e criar tanta expectativa, você deixar eu sonhar com o nosso futuro e colocar de lado o teu medo bobo pra poder sonhar comigo?

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.