Nova Perspectiva

8 de outubro de 2016

Sobre o fim que eu não consegui evitar


Não sei se você ainda se lembra de como era bom quando a gente tinha um ao outro, de como a gente ria e se divertia com coisas pequenas que passariam despercebidas pelos outros, mas que, por nós, se transformavam em assuntos intermináveis. A gente se falava e falava e falava e nem víamos o tempo passar. Eram horas e mais horas de áudios e textos e chamadas em vídeo, e mesmo assim a gente não enjoava um do outro. Logo eu que sempre cansei tão rápido de tudo, não consegui cansar de você. Desde que a gente se afastou, meu celular nunca mais apitou daquele jeito. Também, pudera, onde eu vou encontrar alguém pra falar sobre os astros e as estrelas e a crise na síria e o filme de desenho animado que saiu essa semana no cinema? Quem vai escutar meus dramas e meus medos e aquelas teorias sem pé nem cabeça que eu crio da vida? Quem? Quem, nesse mundo tão individualista, vai deixar o sono de lado pra acompanhar a minha insônia só pro tempo passar mais rápido? Eu não conheço.

Talvez você não saiba, mas eu levei uma porrada de tempo pra me acostumar a não ter mais você todos os dias comigo. Foi difícil não receber o seu bom dia e nem poder mais te mandar dormir porque já tava ficando tarde de mais e cê tinha que acordar cedo no dia seguinte. Eu demorei pra conseguir não chorar cada vez que algo diferente acontecia e eu queria te contar, mas não podia porque você tinha me bloqueado de tudo. Foi difícil. Ainda é, confesso. De vez em quando eu ainda leio as nossas conversas, fico lembrando da gente, de como nos completávamos e nos entendíamos. Vejo as nossas fotos juntos tentando ser mais forte que o nó que surge na minha garganta, é estranho olhar o meu sorriso e pensar que ele nunca mais vai ser pra você. Quando eu não consigo dormir, releio duas ou três vezes todos aqueles meses que estão arquivados porque eu não tive coragem de deletar. As nossas mensagens são tudo o que sobraram de nós. E isso é triste porque a gente tinha potencial pra mais. E eu sei que nunca mais vou encontrar alguém que eu ame como amei você.

Talvez tenha sido inveja dos outros, como as minhas amigas insistem em falar. Talvez o meu ciúmes exagerado ou, quem sabe, as mentiras que você contava sem motivo algum. Talvez tenha sido o santo, que de uma hora pra outra parou de bater. Eu não sei bem o que aconteceu com a gente, mas o nosso amor, que era tão quente, começou a esfriar. Foi impossível de evitar o nosso fim. De repente começamos a brigar o tempo todo e a discordar de tudo, como se já não combinássemos mais, como se estar juntos fosse um erro. A verdade é que eu não consigo entender o que aconteceu, mas estaria mentindo se dissesse que não sinto saudade. Eu sinto, e não é pouca. Sinto falta das declarações que fazíamos um pro outro no meio de um papo sério, de como mudávamos de assunto sem mais nem menos e continuávamos nos entendendo, das suas piadas idiotas que me deixavam com a barriga doendo, e do jeito como a gente se entendia tão fácil. Eu sinto falta de ter você comigo, de saber que cê tava ali, pra tudo.

Sinto falta até das coisas mais bobas, como de te perguntar como é que foi seu dia antes da gente ir dormir e de poder te contar como é que foi o meu. Eu sei que posso fazer isso com outra pessoa, mas com você era diferente. A gente se importava de verdade um com o outro, não era só conversinha mole, papo furado, e mais ninguém vai se interessar em ouvir as minhas histórias sobre o motorista louco do ônibus ou as opções de comida no restaurante em que parei pra almoçar. Nunca mais vai ser do jeito que era com a gente e isso dói. Eu to seguindo em frente, porque não tive outra opção, mas, no fundo, eu ainda não consegui aceitar a sua ausência. É estranho ver seu número e saber que eu não posso mais te chamar, pior é te ver online e saber que agora é outra que ocupa os seus dias. Não consegui evitar o nosso fim, e não consigo evitar essa tristeza por te ver tão longe de mim.

Um comentário:

  1. Acabou eu, um texto que talvez será eu nele mais pra frente se eu não puder evitar :( :(

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.